“Vinda de Lula na inauguração mostra que a ferrovia de Mato Grosso tem importância para o Brasil”, diz Pivetta
JB News
Por Nayara Cristina e Guilherme Augusto
A presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na inauguração do primeiro terminal da Ferrovia Estadual Senador Vicente Emílio Vuolo foi apontada pelo vice-governador Otaviano Pivetta como a confirmação do peso nacional da maior obra ferroviária em execução em Mato Grosso. A declaração foi feita na noite desta segunda-feira (15), durante a inauguração da nova sede do Republicanos, em Cuiabá.
O evento de inauguração do terminal ferroviário está previsto para o próximo sábado, em Dom Aquino, às margens da BR-070, e marca a entrega da primeira etapa operacional da ferrovia. A obra é executada pela Rumo Logística, concessionária responsável pelo empreendimento, e representa um dos maiores investimentos privados em infraestrutura já realizados no Estado.
“É uma ferrovia estadual, a primeira ferrovia estadual do Brasil. É muito bom que a gente possa mostrar o prestígio e a importância que essa ferrovia tem para o Brasil”, afirmou Pivetta.
Segundo o vice-governador, a concessão firmada pelo Governo de Mato Grosso obriga a Rumo a levar os trilhos até Lucas do Rio Verde e construir também um ramal ferroviário até Cuiabá. O contrato prevê uma malha com cerca de 743 quilômetros de extensão, ligando Rondonópolis a Lucas do Rio Verde e incluindo a conexão com a capital mato-grossense.
A ferrovia foi pactuada em 2021 pelo Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística, com a Rumo. As obras tiveram início em 2022, a partir de Rondonópolis, e fazem parte de um projeto estimado entre R$ 11 bilhões e R$ 15 bilhões em investimento privado, conforme diferentes etapas e atualizações do empreendimento. Apenas a primeira etapa, até o terminal da BR-070, em Dom Aquino, concentra aproximadamente R$ 5 bilhões em investimentos.
O projeto é considerado pioneiro porque foi viabilizado por meio de autorização estadual. Mato Grosso criou a legislação que permitiu ao próprio Estado estruturar o modelo de concessão, sem depender exclusivamente da União para tirar a ferrovia do papel. Por isso, a Ferrovia Senador Vicente Emílio Vuolo é tratada como a primeira ferrovia estadual do Brasil.
A malha terá dois grandes eixos. Um deles seguirá de Rondonópolis em direção a Lucas do Rio Verde, passando por regiões estratégicas do agronegócio. O outro formará o ramal de ligação com Cuiabá, considerado fundamental para integrar a capital e a Baixada Cuiabana ao novo corredor ferroviário. Ao todo, o traçado deverá passar por 16 municípios mato-grossenses.
A importância econômica da obra está diretamente ligada ao peso de Mato Grosso na produção nacional. O Estado é líder na produção de soja, milho e algodão, além de ter forte participação na pecuária e na agroindústria. Apesar disso, ainda depende fortemente do transporte rodoviário para escoar cargas por longas distâncias, o que encarece o frete, pressiona as rodovias e reduz a competitividade da produção.
Com a ferrovia, a expectativa é reduzir custos logísticos, ampliar a capacidade de transporte e criar um corredor mais eficiente até o Porto de Santos, em São Paulo. A conexão com a malha ferroviária existente em Rondonópolis permitirá que parte da produção mato-grossense siga por trilhos até o principal porto exportador do país.
O terminal de Dom Aquino, que será inaugurado nesta primeira fase, deve transformar a região da BR-070 em um novo entroncamento logístico. A estrutura tende a atrair armazéns, bases de distribuição, empresas de transporte, misturadoras de fertilizantes, unidades de apoio operacional e novos investimentos ligados à cadeia produtiva do agronegócio.
Além do escoamento de grãos, a ferrovia também deverá impactar o transporte de fertilizantes, combustíveis, insumos industriais e cargas em geral. Isso pode reduzir o fluxo pesado de caminhões em rodovias estratégicas, melhorar a segurança viária e aumentar a previsibilidade do transporte de cargas em períodos de safra.
A obra também tem dimensão social e econômica para os municípios no entorno do traçado. A construção da ferrovia envolve pontes, viadutos, passagens inferiores, túneis, terraplenagem, instalação de trilhos e terminais de carga, movimentando empregos diretos e indiretos durante a implantação. Depois de pronta, a operação tende a gerar novas atividades permanentes nos polos logísticos formados ao longo da malha.
Nos bastidores do governo, a presença de Lula na inauguração é vista como gesto institucional de reconhecimento ao projeto. Para Pivetta, o fato de o presidente da República participar da entrega reforça que a ferrovia não é apenas uma obra de Mato Grosso, mas uma estrutura de interesse nacional, já que melhora a logística de um dos principais estados produtores do país.
O vice-governador também destacou que o empreendimento só se tornou realidade porque Mato Grosso decidiu criar seu próprio caminho. A lei estadual, a concessão firmada com a Rumo e o investimento privado formaram a base para uma obra que, por décadas, foi considerada um sonho distante para o setor produtivo.
A inauguração do terminal em Dom Aquino representa, portanto, mais do que a entrega de um trecho ferroviário. Ela marca o início de uma nova etapa para a logística mato-grossense, com potencial de reorganizar o transporte de cargas, fortalecer a economia regional, atrair indústrias e consolidar Mato Grosso como um dos principais centros logísticos do Brasil.
Para Pivetta, a ferrovia simboliza o protagonismo do Estado na construção de soluções para seus próprios gargalos. Ao defender a presença de Lula na cerimônia, o vice-governador reforçou que a obra nasceu em Mato Grosso, mas terá impacto direto na economia brasileira.
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