Moradores do Jardim Manancial, em Cuiabá, enfrentam uma rotina marcada pelo isolamento e pela precariedade dos serviços essenciais. Sem acesso a transporte público dentro do bairro e desprovidos de rede oficial de abastecimento de água, cerca de 120 pessoas dependem de soluções improvisadas e longas caminhadas para acessar direitos básicos. A situação, que se agrava em períodos de chuva, coloca a comunidade em um cenário de vulnerabilidade extrema.
O desafio diário da mobilidade urbana
A ausência de pavimentação nas vias do Jardim Manancial impõe barreiras severas à circulação. Para acessar o transporte coletivo, os moradores precisam percorrer quase 2 km até o bairro vizinho, Altos da Glória. O trajeto, composto por ruas de terra, pedras e buracos, torna-se um obstáculo intransponível para muitos, especialmente para pessoas com deficiência. É o caso de Gustavo, que utiliza cadeira de rodas e sofre com o desgaste do equipamento ao enfrentar o solo irregular diariamente.
A falta de infraestrutura viária também afasta serviços essenciais. Motoristas de aplicativos evitam a região e o caminhão de coleta de lixo não consegue acessar todas as ruas, forçando alguns moradores a queimar resíduos domésticos. Em dias de chuva, a lama isola ainda mais o bairro, impedindo até mesmo a entrada de veículos de transporte especializado para pessoas com deficiência.
A dependência do sistema de mangueiras
Além das dificuldades de locomoção, o abastecimento de água é um dos pontos mais críticos. Sem rede oficial, a comunidade utiliza um sistema improvisado de mangueiras interligadas, apelidado pelos moradores de “lacraia”. A água é captada da rede do Jardim Moarama e distribuída por meio dessas conexões expostas, que frequentemente apresentam baixa pressão e riscos de rompimento.
A concessionária Águas Cuiabá informou que o Jardim Manancial não faz parte do contrato de concessão por se tratar de uma área de ocupação irregular, embora tenha se colocado à disposição para dialogar sobre uma possível expansão. Enquanto isso, a ausência de rede de esgoto obriga os residentes a improvisarem drenagens superficiais para evitar o acúmulo de dejetos em frente às residências, aumentando os riscos à saúde pública.
Intervenção da Defensoria Pública e respostas oficiais
A situação atraiu a atenção da Defensoria Pública de Mato Grosso, que realizou uma vistoria no local no fim de julho. O órgão constatou a gravidade dos problemas e busca mediar uma solução junto à Prefeitura de Cuiabá e à concessionária de água. A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras justifica a dificuldade de atuação pela necessidade de regularização fundiária da área, o que impede a entrada de máquinas pesadas para melhorias estruturais.
A proposta de aterrar as mangueiras, sugerida como alternativa para viabilizar o patrolamento das ruas, é considerada inviável pela Defensoria, que aponta a falta de recursos e suporte técnico dos moradores. O órgão avalia a possibilidade de ingressar com uma ação civil pública caso não haja um cronograma efetivo para a regularização dos serviços básicos na região.
O Play Notícias News segue acompanhando o desenrolar das negociações entre os moradores, a prefeitura e a concessionária de água. Para se manter informado sobre esta e outras questões que impactam a infraestrutura e a qualidade de vida em Mato Grosso, continue acompanhando nosso portal, onde prezamos pela apuração rigorosa e pelo compromisso com a informação de qualidade.
Mais sobre este assunto
Tribunal do Júri retoma julgamento de acusados pela morte do advogado Roberto Zampieri
Arquidiocese de Cuiabá condena vandalismo contra imagem de Nossa Senhora na Cruz do Chilão
Minha Casa, Minha Vida viabiliza 770 novas moradias em Cuiabá e Planalto da Serra
Nova Xavantina registra 42,2°C e lidera ranking de calor em Mato Grosso