Delação aponta que deputado Juarez Costa recebia dinheiro vivo da Aegea  em encontros secretos em Balneário Camboriú


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JB News

Por Nayara Cristina

BMW, malotes e R$ 30 milhões: delação explode em Mato Grosso e coloca Juarez Costa no centro de escândalo de propina

Uma nova bomba política caiu sobre Mato Grosso nesta segunda-feira, com a revelação de que o deputado federal Juarez Costa, do Republicanos, foi acusado por ex-executivos da Aegea de ter recebido cerca de R$ 30 milhões em propina e uma BMW de luxo para facilitar negócios da empresa de saneamento durante o período em que comandou a Prefeitura de Sinop, entre 2009 e 2016.

As acusações constam em acordos de colaboração premiada firmados por cinco ex-dirigentes da companhia com o Ministério Público entre 2020 e 2021. Os termos foram homologados em 2025 pelo ministro Raul Araújo, do Superior Tribunal de Justiça. O caso veio à tona agora após reportagem nacional ter acesso ao conteúdo das delações, que estavam sob tratamento sigiloso no âmbito judicial.

Segundo os relatos dos colaboradores, os pagamentos teriam ocorrido em meio à expansão da Aegea no setor de saneamento básico e envolveriam a concessão dos serviços de água e esgoto em Sinop. A própria concessionária Águas de Sinop informa que atua no município desde novembro de 2014, por meio do Contrato de Concessão nº 096/2014.

O ponto central da delação é a afirmação de que Juarez Costa teria usado a força política do cargo de prefeito para alterar regras, criar condições legais e conduzir procedimentos administrativos que teriam beneficiado a empresa. Em troca, segundo os delatores, o então prefeito teria recebido vantagens indevidas em dinheiro, além de um veículo BMW, adquirido em 2014.

O ex-presidente da Aegea, Hamilton Amadeo, afirmou aos procuradores que autorizou pagamentos que somaram R$ 30 milhões a Juarez Costa ao longo dos anos. Conforme o depoimento, os valores seriam destinados ao pagamento de dívidas de campanha do então prefeito, que depois se elegeu deputado federal por Mato Grosso.

Ainda segundo a delação, Juarez teria pedido diretamente a BMW como parte do acerto. O ex-diretor financeiro da empresa, Flávio Crivellari, relatou que o carro custou R$ 330 mil à época, valor que hoje equivaleria a aproximadamente R$ 625 mil corrigidos pela inflação. O veículo, conforme os relatos, teria sido comprado por intermédio de operadores ligados à concessionária.

Outro trecho considerado explosivo envolve o ex-diretor administrativo Felipe Ferraz. Ele afirmou ter operado um suposto caixa dois destinado a Juarez Costa a partir de 2015. De acordo com o relato, o então prefeito utilizava intermediários para retirar dinheiro em espécie na sede da Aegea, em São Paulo, e também receberia valores em Cuiabá e em Santa Catarina.

Ferraz disse que, entre 2015 e o primeiro trimestre de 2016, foram entregues maços de dinheiro em Balneário Camboriú, no litoral catarinense, totalizando R$ 1,2 milhão. O ponto de encontro, segundo ele, seria em um cruzamento entre a Avenida Brasil e a Rua 3.300, nas proximidades de um hotel. Os valores, conforme a delação, teriam como destino final o atual deputado federal.

A reportagem também conecta os relatos ao histórico da Operação Sorrelfa, deflagrada em 2016 pelo Ministério Público de Mato Grosso, quando Juarez Costa foi alvo de mandado de busca e apreensão em investigação sobre suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. Na época, foram mencionados cheques e documentos relacionados a despesas atribuídas ao então prefeito, inclusive em Balneário Camboriú.

Os delatores também apontaram o uso de empresas prestadoras de serviço, postos de combustíveis e contratos com suposto sobrepreço para mascarar repasses. Um dos relatos cita a RJD Construções, que teria recebido valores da Aegea entre 2015 e 2018. Segundo a delação, parte desses pagamentos teria sido inflada para abastecer o esquema.

A Aegea é uma das maiores companhias privadas de saneamento do país. A composição acionária atual da empresa inclui a Equipav Saneamento, o fundo soberano de Singapura GIC e a Itaúsa. A companhia afirma, em seus comunicados ao mercado, que os fatos tratados nos acordos de colaboração pertencem ao passado e que a adesão ao termo teve como objetivo reforçar práticas de integridade corporativa.

O caso ganha forte repercussão política porque Juarez Costa está em pleno mandato na Câmara Federal e aparece no tabuleiro eleitoral de 2026 em Mato Grosso. A revelação atinge diretamente um dos nomes do Republicanos no Estado, partido que tenta ampliar protagonismo político e eleitoral no próximo pleito.

Procurado pela reportagem nacional que revelou o caso, Juarez Costa não comentou as acusações. A Aegea também não comentou especificamente a suposta entrega da BMW. Já o ministro Raul Araújo informou, por meio de sua assessoria, que não poderia prestar informações sobre feito sob sigilo.

A divulgação das delações ocorre em um momento particularmente delicado para a trajetória política de Juarez Costa. O deputado federal se prepara para disputar a reeleição em 2026 e recentemente deixou o MDB para se filiar ao Republicanos, partido que trabalha para ampliar sua representação em Mato Grosso e fortalecer seu projeto político para as próximas eleições.

Embora os fatos narrados pelos delatores sejam referentes ao período em que Juarez comandava a Prefeitura de Sinop, entre 2009 e 2016, a revelação do conteúdo dos acordos neste momento produz efeitos imediatos no cenário político estadual. O parlamentar passa a carregar para a disputa eleitoral um desgaste provocado por acusações que envolvem supostos pagamentos milionários, dinheiro em espécie entregue por intermediários e até a aquisição de uma BMW de luxo.

Nos bastidores da política mato-grossense, a repercussão foi imediata. A publicação das delações colocou o nome do deputado no centro de um dos episódios de maior impacto político do ano, justamente quando começam as articulações para a formação das chapas que disputarão as eleições de 2026.

Outro fator que chama atenção é o silêncio adotado por Juarez Costa desde que as acusações vieram a público. Até o fechamento desta reportagem, o parlamentar não havia divulgado nota oficial nem apresentado manifestação pública sobre os fatos relatados pelos ex-executivos da Aegea.

A ausência de posicionamento aumenta a expectativa em torno dos próximos desdobramentos do caso. Com a divulgação dos depoimentos, Juarez inicia a caminhada rumo à reeleição sob o peso de acusações que envolvem cerca de R$ 30 milhões em supostas propinas, entrega de dinheiro vivo e benefícios indevidos, fatos que passam a integrar o debate político de Mato Grosso e devem repercutir ao longo da corrida eleitoral.

Apesar da gravidade dos relatos, as acusações ainda dependem de apuração formal, análise de provas e eventual manifestação das autoridades competentes. Até que haja decisão judicial definitiva, prevalece o direito de defesa e a presunção de inocência.

Mesmo assim, o conteúdo das delações abre uma nova frente de desgaste político em Mato Grosso. O caso coloca sob suspeita atos praticados durante a gestão de Juarez Costa em Sinop, reacende investigações antigas e joga luz sobre a relação entre poder público, concessões de saneamento e financiamento político em um dos municípios mais estratégicos do agronegócio no norte do Estado.



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