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Suplente de vereador em Cuiabá denuncia ameaças e tentativa de intimidação por voto na Câmara

Suplente Antônio Lemes denuncia ameaças de Jeferson Siqueira na Câmara de Cuiabá por divergência em voto para presidência da Casa.

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  • O clima político na Câmara Municipal de Cuiabá atingiu um novo patamar de tensão nesta terça-feira, 29 de outubro.
  • O vereador suplente Antônio Lemes (PSD), que atualmente ocupa a cadeira do titular Jeferson Siqueira (PSD), convocou a imprensa para denunciar o…
  • O estopim do conflito seria o posicionamento de Lemes em relação à sucessão da Mesa Diretora da Casa de Leis.
Suplente de vereador em Cuiabá denuncia ameaças e tentativa de intimidação por voto na Câmara
RepórterMT / Karine Arruda

O clima político na Câmara Municipal de Cuiabá atingiu um novo patamar de tensão nesta terça-feira, 29 de outubro. O vereador suplente Antônio Lemes (PSD), que atualmente ocupa a cadeira do titular Jeferson Siqueira (PSD), convocou a imprensa para denunciar o que classificou como uma série de pressões psicológicas e ameaças diretas. O estopim do conflito seria o posicionamento de Lemes em relação à sucessão da Mesa Diretora da Casa de Leis.

A crise interna no partido ganhou contornos públicos quando o suplente declarou abertamente seu apoio ao projeto de resolução que visa permitir a recondução da vereadora Paula Calil (PL) à presidência do parlamento municipal. A decisão de Lemes contraria a articulação liderada por seu titular licenciado, que apoia a candidatura de oposição encabeçada por Ilde Taques (Podemos).

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Confronto direto e tentativa de manobra regimental

De acordo com o relato detalhado por Antônio Lemes durante a coletiva, a situação escalou após ele se recusar a participar de atos políticos favoráveis ao grupo de oposição. O suplente afirmou ter sido convocado ao gabinete de Jeferson Siqueira, onde teria sofrido coação para mudar seu voto. Diante da negativa em participar de almoços de articulação e sessões de fotos com o candidato adversário, a resposta teria sido uma tentativa de retaliação administrativa.

“Fiquei sabendo que ele [Jeferson] entrou com o pedido aqui na Casa para ser substituído ainda para esta sessão, para ele voltar da licença dele e retomar a vaga”, revelou Lemes. Essa manobra, comum em momentos de votações cruciais, serviria para anular o voto do suplente e garantir que a vontade do titular prevalecesse no plenário. No entanto, o embate não teria ficado restrito apenas ao campo burocrático.

Relatos de intimidação e medo por integridade física

O suplente descreveu um cenário de hostilidade que teria ocorrido nas dependências da Câmara. Segundo ele, Jeferson Siqueira teria agido de forma agressiva, acompanhado por um familiar. “O Jeferson não gostou dessa fala minha, acabou vindo para cima junto com o outro irmão dele que estava por ali”, afirmou Lemes. O episódio só não teria chegado às vias de fato devido à intervenção do próprio vereador Ilde Taques, que, ironicamente, é o candidato apoiado pelo titular.

Lemes destacou frases que considerou intimidatórias, como a afirmação de Siqueira de que o suplente “não o conhecia” e que o voto em questão pertenceria ao titular, e não a quem ocupa a vaga temporariamente. Esse tipo de declaração levanta debates sobre a autonomia do mandato parlamentar exercido por suplentes. Visivelmente abalado, Lemes admitiu sentir receio por sua segurança pessoal. “Hoje, no mundo que nós vivemos, não tem como você não se preocupar em resguardar a nossa integridade física”, desabafou o parlamentar.

O projeto que divide o parlamento cuiabano

O pano de fundo de toda essa disputa é o projeto de resolução de autoria do vereador Marcus Brito Júnior (PV). O texto propõe uma alteração no Regimento Interno da Câmara para viabilizar a recondução sucessiva ao cargo de presidente. Atualmente, as regras impedem que Paula Calil dispute novamente o comando da Casa de forma imediata.

A votação deste projeto, que exige apenas maioria simples para aprovação, é vista como o primeiro grande teste de força entre os grupos políticos que buscam o controle do Legislativo para o próximo biênio. É importante ressaltar que a aprovação da mudança regimental não garante a vitória de Paula, mas apenas remove o impedimento jurídico para que ela registre sua candidatura oficial.

A eleição definitiva da nova Mesa Diretora está agendada para o dia 6 de outubro. Até lá, o cenário permanece de intensa articulação e, como demonstrado pelo episódio desta terça-feira, de alta volatilidade emocional e política. O caso de Antônio Lemes joga luz sobre os bastidores das negociações partidárias, onde a fidelidade e o controle dos votos muitas vezes ultrapassam os limites do debate democrático saudável.

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