O depoimento do delegado da Polícia Federal Marco Bontempo marcou um momento decisivo no julgamento que apura o assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em dezembro de 2023. Durante a sessão realizada nesta quinta-feira (29), no Tribunal do Júri em Cuiabá, o investigador foi enfático ao declarar que não possui nenhuma dúvida sobre a participação dos três réus no planejamento e na execução do crime que chocou a capital mato-grossense.
Provas digitais e a reconstrução do crime
A convicção do delegado baseia-se em um robusto conjunto de evidências técnicas coletadas ao longo da investigação. Segundo Bontempo, a análise minuciosa de registros telefônicos, mensagens trocadas entre os envolvidos e dados extraídos de dispositivos eletrônicos permitiu aos investigadores traçar uma linha do tempo detalhada, conectando os acusados antes e depois da execução do advogado na porta de seu escritório.
Entre os elementos apresentados, destacam-se comunicações que, segundo a acusação, revelam a frieza dos envolvidos. O delegado citou mensagens atribuídas a Hedilerson Fialho Martins Barbosa, enviadas ao coronel reformado Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas logo após o homicídio. Em um dos registros, a frase “Coronel, missão cumprida!” foi utilizada, seguida por outra mensagem que indicava o “iniciando plano de retirada”, o que reforça a tese de uma ação coordenada e premeditada.
A estrutura do grupo criminoso
O Ministério Público sustenta que cada um dos réus desempenhou papéis específicos para garantir o sucesso da empreitada criminosa. O julgamento coloca no banco dos réus Antônio Gomes da Silva, apontado como o executor que efetuou os disparos; Hedilerson Fialho Martins Barbosa, responsável pela logística; e Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, que teria atuado como o elo central entre os envolvidos.
Além disso, o delegado Marco Bontempo ressaltou que a participação de Aníbal Manoel Laurindo, apontado como um dos mandantes, surgiu de forma muito forte durante a apuração. A sequência de ligações interceptadas entre os réus após o crime é considerada uma das peças-chave para sustentar a denúncia perante o júri popular, que agora delibera sobre as responsabilidades individuais e as possíveis penas, que podem chegar a 30 anos de reclusão.
Repercussão e contexto jurídico
O caso Roberto Zampieri tornou-se um símbolo da violência contra profissionais do Direito em Mato Grosso, gerando forte comoção social e mobilização da classe advocatícia. A celeridade na elucidação do crime pela Polícia Federal, que utilizou tecnologia avançada para rastrear os passos dos suspeitos, é vista como um marco no combate a crimes de mando na região.
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Para mais informações sobre o andamento dos processos judiciais no estado, consulte o site oficial do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
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