A crise na saúde pública de Mato Grosso ocupou o centro das atenções durante o debate entre candidatos ao Governo do Estado, promovido pela TV Centro América. Em um confronto marcado por críticas contundentes à gestão atual, os candidatos Natasha Slhessarenko e Wellington Fagundes convergiram em suas preocupações sobre a precariedade do sistema, destacando a agonia dos pacientes que enfrentam filas intermináveis por consultas e exames especializados.
Desafios estruturais e a crise das filas
O debate ganhou contornos de urgência quando Natasha questionou as estratégias de Wellington para mitigar o represamento de pacientes no sistema estadual. A candidata enfatizou a disparidade na distribuição de profissionais médicos, concentrados majoritariamente em Cuiabá, e a subutilização de unidades hospitalares recém-inauguradas. Para ilustrar a gravidade da situação, ela relatou o caso dramático de um paciente que, após solicitar uma colonoscopia com caráter de urgência, recebeu o agendamento apenas meses após o seu falecimento.
Natasha defendeu uma reestruturação baseada na valorização do funcionalismo público, propondo a convocação imediata de aprovados em concursos e a realização de novos certames. A candidata também manifestou forte oposição à terceirização dos serviços de saúde, argumentando que o fortalecimento dos hospitais municipais e regionais de pequeno porte é o caminho mais eficaz para evitar a sobrecarga dos grandes centros e a necessidade de transferências constantes de pacientes.
Propostas para a descentralização e tecnologia
Em sua resposta, Wellington Fagundes reconheceu a escassez de profissionais no interior como um dos gargalos mais críticos para a eficiência do atendimento. Segundo o candidato, a solução passa pela descentralização efetiva da rede, que depende diretamente da conclusão de obras hospitalares paralisadas e da qualificação técnica das equipes. Ele ressaltou que a simples entrega de prédios não resolve o problema sem o devido aporte de recursos para equipamentos e custeio operacional.
O candidato aproveitou o espaço para criticar a condução de projetos como o Hospital Central e a situação financeira da Santa Casa de Cuiabá. Como medida de modernização, Wellington propôs a implementação do prontuário digital integrado, permitindo que a população realize o agendamento de consultas via celular. Além disso, prometeu a realização de um mutirão estadual voltado para a redução da demanda reprimida de cirurgias eletivas e a regularização dos repasses aos hospitais filantrópicos, citando o Hospital Santo Antônio, em Sinop, como um exemplo de unidade prejudicada por dívidas acumuladas.
O impacto da gestão na assistência ao cidadão
A troca de farpas entre os candidatos reflete a insatisfação popular com o cenário atual da saúde em Mato Grosso. Enquanto Natasha foca na gestão de pessoal e na autonomia das unidades regionais, Wellington aposta na tecnologia e na conclusão de obras como pilares para a mudança. Ambos, contudo, concordam que a atual estrutura não atende à demanda da população, que segue dependente de um sistema que, segundo os próprios postulantes ao cargo, falha em garantir o acesso básico à saúde.
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