O governo dos Estados Unidos, sob a gestão de Donald Trump, destinou 1 milhão de dólares para financiar projetos voltados a organizações brasileiras que contestam a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). A revelação, publicada pelo jornal britânico The Guardian, aponta que o montante integra um pacote de 176,9 milhões de dólares do Fundo de Direitos Humanos e Democracia do Departamento de Estado norte-americano, redirecionado para pautas conservadoras ao redor do mundo.
A estratégia de combate ao judiciário brasileiro
O programa específico para o Brasil, intitulado “Countering Lawfare and Censorship in Brazil” (Combatendo a guerra jurídica e a censura no Brasil), tem como objetivo declarado apoiar entidades da sociedade civil que se opõem ao que o governo dos EUA classifica como excessos judiciais. A medida reflete uma mudança na política externa de Washington, que passou a priorizar temas como anticomunismo, proteção de cristãos e oposição à chamada “ideologia de gênero” em seus investimentos internacionais.
Este movimento ocorre em um momento de alta tensão política, a apenas três dias do primeiro turno das eleições brasileiras. A injeção de recursos soma-se a uma série de pressões diplomáticas e econômicas exercidas pela administração Trump sobre o Brasil ao longo dos últimos meses, intensificando o debate sobre a soberania nacional e a ingerência externa nos Três Poderes.
Histórico de sanções e pressões diplomáticas
A relação entre a agenda de Trump e o bolsonarismo tem se estreitado através de instrumentos de pressão direta. Em julho de 2025, o governo norte-americano anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, vinculando a medida ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Judiciário. Na ocasião, Trump classificou os processos contra o ex-presidente como uma “caça às bruxas”.
A escalada incluiu a suspensão de vistos de oito ministros do STF, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Em 30 de julho de 2025, o ministro Alexandre de Moraes tornou-se alvo da Lei Magnitsky, que impõe restrições financeiras severas sob jurisdição dos Estados Unidos. Posteriormente, o governo Trump revogou o visto do advogado-geral da União, Jorge Messias, sinalizando que outras autoridades poderiam sofrer sanções semelhantes.
Impactos na política externa e eleitoral
A atuação de figuras ligadas ao bolsonarismo, como o senador Flávio Bolsonaro e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, tem sido central na articulação dessas medidas em Washington. Em maio de 2025, após reuniões com autoridades norte-americanas, o governo Trump incluiu o PCC e o Comando Vermelho na lista de organizações terroristas estrangeiras, atendendo a um pedido direto de Flávio Bolsonaro, após uma recusa inicial do governo brasileiro.
À medida que a eleição se aproxima, o tema ganha contornos de disputa eleitoral. Flávio Bolsonaro chegou a viajar aos Estados Unidos para tentar negociar a suspensão de tarifas comerciais, argumentando que a punição econômica poderia favorecer a candidatura do presidente Lula (PT). Enquanto isso, Eduardo Bolsonaro já projeta uma reestruturação no Itamaraty, caso seu irmão vença o pleito, citando a possibilidade de assumir cargos estratégicos na diplomacia brasileira.
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