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Em uma operação de alta precisão realizada nesta sexta-feira (2), a força aérea do Iêmen executou 20 ataques contra alvos estratégicos da milícia houthi. A ofensiva, concentrada em um intervalo de três horas, teve como objetivo desarticular movimentos, reforços e depósitos de equipamentos militares pertencentes ao grupo insurgente na província de Taiz.
O porta-voz oficial das Forças Armadas do Iêmen, Majed Abdullah Al-Nuzaily, confirmou a ação por meio de uma publicação em rede social. Segundo o oficial, os bombardeios atingiram pontos críticos em localidades como Hameer, Bani Bakar, Same e Al-Waziya. O comando militar iemenita reportou danos severos a veículos e armamentos, além de perdas humanas entre os combatentes da milícia.
Impactos estratégicos na província de Taiz
A província de Taiz possui um peso simbólico e econômico fundamental para o país. Sendo a terceira maior cidade do Iêmen, a região funciona como um centro nevrálgico para o comércio e a indústria local. A intensificação dos confrontos nesta área reflete a instabilidade crescente em um território que, até pouco tempo, vivia sob um cessar-fogo relativo.
A operação ocorre poucos dias após um episódio violento na mesma província, quando um ataque a um mercado local resultou em sete mortes e deixou 40 pessoas feridas, incluindo crianças. Enquanto o ministério da Saúde, sob controle houthi, denunciou o ataque, fontes militares ligadas ao governo reconhecido internacionalmente justificaram a ação alegando a presença de um acampamento militar instalado pelos insurgentes nas proximidades do centro comercial.
Escalada do conflito e ameaça à navegação
O cenário atual marca uma ruptura significativa em relação ao período de relativa calmaria que o Iêmen experimentava desde a trégua estabelecida em 2022. A guerra civil, que teve início com a tomada da capital, Sanaa, em 2014, voltou a ganhar contornos de alta intensidade, com o avanço das forças houthis em direção ao sul, ao longo da costa do Mar Vermelho.
A movimentação houthi não se limita ao controle territorial interno. Ao avançar sobre portos e ilhas estratégicas, o grupo coloca sob risco o estreito de Bab el-Mandeb, uma das rotas marítimas mais vitais para o comércio global. A passagem, que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden, é um ponto de trânsito crucial para o petróleo e mercadorias entre a Ásia e a Europa. Dados da Reuters indicam que a interrupção dessas rotas pode causar impactos diretos na economia global, dado o volume de produção energética que circula pela região.
O custo humanitário desta nova fase do conflito é alarmante. Segundo estimativas da ONU, mais de 700 pessoas perderam a vida em combates recentes, enquanto o número de deslocados internos já ultrapassa a marca de 130 mil. Além disso, milhares de civis buscam refúgio em travessias perigosas pelo mar em direção ao continente africano.
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