Unicef alerta para alta nos casos de maus-tratos contra crianças
Nesta sexta-feira (26), data em que se celebra o Dia Nacional pela Educação Sem Violência, o Fundo das Nações Unidas para a Infância lançou um alerta para a necessidade de ampliar os programas de parentalidade protetiva no Brasil. Segundo a Unicef, se os responsáveis não forem orientados sobre cuidados não agressivos aos filhos, a quantidade de casos de maus tratos no Brasil não irá diminuir.

O alerta é baseado em dados do último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, que contabilizou, só em 2024, mais de 33 mil crianças e adolescentes vítimas de maus-tratos. Desses, quase 9 a cada 10 casos aconteceram com crianças de até 13 anos. Segundo o Anuário, a faixa etária dos 5 aos 9 anos foi a mais atingida – com mais de 11 mil casos registrados.
O dia 26 de junho também marca 12 anos da criação da Lei Menino Bernardo – que mudou o Estatuto da Criança e do Adolescente e estabeleceu o direito à educação sem o uso de castigos físicos, de tratamento cruel ou degradante.
No entanto, a representante adjunta do Unicef no Brasil, Layla Saad, afirma que os casos de maus tratos vêm aumentando…
“A gente tem feito pesquisa junto aos nossos parceiros, e os dados mostram que a violência dentro de casa está aumentando. As crianças entre 0 e 4 anos estão morrendo dentro de casa, a gente tem um aumento de mortes. E mesmo que não morre, sofre consequências muito sérias que pode impactar o desenvolvimento dessa criança ao longo da vida”.
Para ela, o aumento dos casos ocorre por conta da banalização da violência…
“A gente tem que quebrar essa normalização da violência de uma forma geral na sociedade. As famílias têm que entender e reconhecer e agir contra a violência, ter estratégias e metodologias de parentalidade protetiva. E nós temos o papel também, tanto como as políticas públicas, os programas, de apoiar essas famílias nesses esforços de mudar”.
De acordo com o Unicef, é preciso ampliar iniciativas já existentes no Brasil que compreendem a parentalidade protetiva, como o Plano Nacional de Cuidados e o Primeira Infância no Sistema Único de Assistência Social (SUAS), além de garantir sua efetiva implementação.
O alerta também é direcionado para a conscientização de pais, avôs e outros responsáveis do sexo masculino – afim de que haja quebra das normas de gênero associadas aos cuidados de crianças e adolescentes.
*Sob supervisão de Fábio Cardoso
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