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Produção industrial recua 0,6% em agosto e eleva risco de PIB negativo no terceiro trimestre

Produção industrial recua 0,6% em agosto, frustrando expectativas e elevando o risco de contração do PIB no terceiro trimestre de 2026.

Produção industrial recua 0,6% em agosto e eleva risco de PIB negativo no terceiro trimestre
Fonte: IBGE

Revisões nas projeções do PIB

O desempenho abaixo do esperado na Pesquisa Industrial Mensal (PIM) forçou instituições financeiras a recalibrarem suas expectativas. Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, aponta que o resultado é consistente com o cenário de desaceleração incorporado pela casa. Como consequência, a estimativa de crescimento para o PIB do terceiro trimestre foi revisada de uma estagnação (0,0%) para uma queda de 0,1% em relação ao trimestre anterior.

A equipe econômica do Itaú também manifestou preocupação, destacando que o resultado reduz o carry-over estatístico para os meses seguintes, elevando a probabilidade de uma contração industrial trimestral. Embora nomes como Leonardo Costa, do ASA, mantenham projeções de crescimento de 0,2% para o PIB, o consenso é de que o balanço de riscos aponta para baixo. Antônio Ricciardi, do Banco Daycoval, reforça que a dissipação dos estímulos governamentais do início do ano deve manter a atividade em ritmo lento até o final de 2026.

Juros altos e o impacto no investimento produtivo

Um dos pontos mais críticos do relatório é a queda de 0,6% na categoria de Bens de Capital, que acumula cinco meses consecutivos de recuo na base interanual. Este segmento é considerado o termômetro do investimento produtivo no país. André Matos, CEO da MA7 Capital, alerta que a falta de fabricação de máquinas hoje compromete a produtividade futura da indústria nacional.

A política monetária restritiva, com juros em patamares elevados, atua como a principal âncora para a expansão do setor. Breno Grou, CEO da Sinter Futura, observa que as empresas estão operando com cautela, priorizando lotes menores e reposições imediatas em detrimento de grandes projetos. Valdir Piran Jr., CEO do Grupo Intra, projeta que, caso o cenário de juros altos persista ao longo de 2027, o país pode enfrentar o adiamento de até R$ 25 bilhões em investimentos, o que atrasaria a modernização do parque fabril brasileiro.

Desafios para a política monetária

Apesar da demanda industrial enfraquecida, o alívio na inflação não é imediato. Cassio Viana de Jesus, CIO da Pilar Capital, ressalta que o mercado de trabalho aquecido sustenta o consumo das famílias, limitando o espaço para o Banco Central acelerar o corte da taxa Selic. A inflação de serviços, por exemplo, continua sendo um ponto de resistência que impede uma flexibilização monetária mais agressiva.

Analistas como Claudia Moreno, do C6 Bank, reforçam que a Selic deve permanecer elevada por um período prolongado. Somam-se a isso as incertezas externas, como a aversão ao risco global e a volatilidade cambial. Fábio Murad, da Wiser Asset, alerta que uma eventual depreciação do real pode elevar o custo de insumos importados, anulando os efeitos desinflacionários da queda na demanda interna.

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