O setor de tecnologia voltado ao meio ambiente, conhecido como climatechs, busca um novo desenho para as políticas públicas de crédito no Brasil. Com o objetivo de acelerar a transição ecológica e fortalecer a inovação, o Fórum Brasileiro das Climatechs (FBC) apresentou um documento estratégico aos candidatos à presidência da República, listando 40 demandas essenciais para o desenvolvimento do ecossistema.
A iniciativa, que ganha relevância diante da necessidade global de investimentos bilionários para o enfrentamento das mudanças climáticas, aponta um descompasso entre o capital anunciado e o recurso que efetivamente chega às empresas. Segundo dados do Boston Consulting Group, a transição climática exigirá aportes mundiais de até US$ 3 trilhões anuais até 2050, colocando as startups brasileiras em uma posição estratégica para captar parte desses investimentos.
Desafios na alocação de recursos para o setor
Um dos pontos centrais do debate é a eficácia na execução dos fundos públicos. Embora o governo federal tenha anunciado a mobilização de mais de R$ 373 bilhões para projetos de transição ecológica nos últimos dois anos, a conversão desses valores em operações concretas ainda é lenta. O programa Eco Invest Brasil, por exemplo, registra uma distância significativa entre os R$ 140 bilhões mobilizados e os R$ 14 bilhões efetivamente contratados.
Para o diretor executivo do FBC, Zé Gustavo, o desafio atual não é a escassez de recursos, mas a necessidade de uma decisão política que trate a agenda climática como um projeto de desenvolvimento nacional. A entidade defende que os mecanismos de financiamento, como o Eco Invest, sejam mais tolerantes a riscos, permitindo que o capital de risco e tecnológico avance de forma mais ágil.
Ajustes no financiamento para empresas em expansão
Outra demanda prioritária do FBC é a flexibilização das regras do Fundo Clima, gerido pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e operado pelo BNDES. Atualmente, o fundo prioriza operações de valores elevados, frequentemente acima de R$ 20 milhões, o que exclui grande parte das empresas do setor que estão em fase de expansão e necessitam de aportes menores.
A diretora executiva do FBC, Ana Himmelstein, explica que o desenho atual dos instrumentos públicos acaba criando um vácuo de suporte. Muitas startups, que possuem ciclos longos de validação tecnológica, ficam estagnadas por não se enquadrarem nos critérios de grande porte. A proposta é que o governo implemente um rastreamento mais eficiente dos recursos, garantindo que o capital chegue à ponta, onde a inovação climática é desenvolvida.
Articulação política e futuro do setor
Com mais de 500 empresas mapeadas no país e uma movimentação econômica estimada entre R$ 5 e R$ 8 bilhões, o FBC busca ampliar sua representatividade. A entidade planeja estreitar laços com o Congresso Nacional, com uma audiência pública já agendada na Comissão de Ciência e Tecnologia para o período pós-eleitoral.
O setor de economia climática, segundo o FBC, ainda possui muitas companhias que desenvolvem soluções sustentáveis sem se reconhecerem formalmente como parte desse ecossistema. A formalização e o suporte adequado a essas empresas são vistos como passos cruciais para que o Brasil se posicione como um protagonista global na nova economia verde.
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