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Descompasso entre representatividade e poder
Embora as mulheres componham a maioria do eleitorado brasileiro, com 83,9 milhões de cidadãs aptas a votar — o que representa 52,84% do total de 158,7 milhões de eleitores segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) —, o cenário das disputas pelos governos estaduais ainda revela uma predominância masculina. A disparidade entre a base demográfica e os nomes que lideram as chapas majoritárias é um reflexo histórico da política nacional, onde o acesso aos cargos de maior visibilidade e poder executivo permanece um desafio para a representação feminina.
Um levantamento realizado pela CNN identificou oito mulheres em posições de destaque na corrida pelos governos de sete estados e do Distrito Federal. Entre os nomes que figuram como competitivos estão Raquel Lyra (PSD), em Pernambuco; Juliana Brizola (PDT), no Rio Grande do Sul; e Celina Leão (PP), no Distrito Federal. A lista se estende por diversas regiões, incluindo candidaturas como as de Hana Ghassan (MDB) no Pará, Maria do Carmo (PL) no Amazonas, Professora Dorinha (União) no Tocantins, Mailza Assis (PP) no Acre e Natasha Slhessarenko (PSD) em Mato Grosso.
Cenários regionais e a dinâmica das pesquisas
O desempenho dessas candidatas nas pesquisas de intenção de voto é heterogêneo, variando entre a liderança isolada e a busca por espaço em cenários polarizados. No Distrito Federal, Celina Leão aparece com força em simulações de segundo turno, enquanto no Rio Grande do Sul, Juliana Brizola protagoniza um empate técnico na liderança. No Norte do país, o cenário também é variado: Hana Ghassan, no Pará, e Maria do Carmo, no Amazonas, enfrentam adversários tradicionais em disputas que refletem a força de grupos políticos locais e alianças nacionais.
É importante notar que, em 2022, o Brasil elegeu apenas duas mulheres para o comando de governos estaduais entre as 27 unidades da federação. A reeleição de Fátima Bezerra (PT) no Rio Grande do Norte e a vitória de Raquel Lyra em Pernambuco, em um segundo turno que foi inteiramente disputado por mulheres, marcaram pontos de inflexão que, até o momento, não se traduziram em uma tendência de crescimento acelerado para as eleições atuais.
O papel das cotas e a barreira no Senado
A disparidade de gênero na política brasileira encontra um ponto de debate na legislação eleitoral. Atualmente, as eleições para cargos majoritários — como governador e senador — não estão submetidas à regra das cotas de gênero. Essa exigência, que obriga os partidos a destinarem pelo menos 30% das candidaturas a cada sexo, aplica-se apenas às eleições proporcionais, como para deputado federal, estadual ou distrital e vereador.
Embora a política de cotas, instituída em 1995, tenha ampliado o número de mulheres registradas como candidatas, o impacto na ocupação efetiva de cadeiras ainda é lento. Na Câmara dos Deputados, por exemplo, as mulheres conquistaram 91 das 513 vagas em 2022, o que equivale a 17,7% do total. Na disputa pelo Senado, onde serão renovadas 54 das 81 cadeiras este ano, nomes como Simone Tebet (PSB), Marina Silva (Rede), Michelle Bolsonaro (PL) e Manuela d’Ávila (PSOL) buscam ampliar a presença feminina na Casa Alta, embora os homens continuem sendo a maioria esmagadora nas indicações partidárias.
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