“Sem apoio do Governo, não há como recuperar o DAE”, afirma Flávia Moretti ao detalhar crise financeira na autarquia


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JB News

Por Nayara Cristina

Do local Guilherme Augusto

A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, afirmou que o município não possui capacidade financeira para realizar os investimentos necessários na modernização do Departamento de Água e Esgoto (DAE) e reconheceu que o futuro da autarquia dependerá do apoio do Governo de Mato Grosso. A declaração foi dada após uma reunião realizada nesta semana com o governador Otaviano Pivetta, durante a qual também foram discutidos projetos de pavimentação, a construção do novo Pronto-Socorro e do Mercado Municipal de Várzea Grande.

Segundo a prefeita, além das demandas de infraestrutura apresentadas ao Estado, a administração entregou um amplo diagnóstico sobre a situação do DAE, incluindo estudos técnicos, levantamentos financeiros, informações jurídicas e projetos voltados à ampliação da rede de abastecimento e do sistema de esgotamento sanitário.

Flávia explicou que o material encaminhado foi elaborado em conjunto pela direção do DAE, Secretaria de Obras, Secretaria de Assuntos Estratégicos e pelo gabinete da Prefeitura. O documento reúne dados sobre a atual situação da autarquia, projetos já existentes e estudos relacionados ao modelo de gestão, permitindo que o Governo do Estado avalie de que forma poderá colaborar para recuperar o sistema de abastecimento.

A prefeita revelou que aguarda uma manifestação do Estado sobre quais investimentos poderão ser realizados, reconhecendo que o calendário eleitoral pode adiar parte das definições. Ainda assim, disse esperar que, passada a eleição, haja uma sinalização concreta para viabilizar obras consideradas essenciais.

A expectativa da administração municipal ganhou ainda mais força após o posicionamento do governador Otaviano Pivetta durante sua agenda em Várzea Grande. Ao comentar a situação do abastecimento de água, ele reconheceu que o problema se tornou uma das maiores angústias da população várzea-grandense e afirmou que o Governo de Mato Grosso buscará os meios necessários para contribuir com uma solução definitiva.

Segundo Pivetta, o Estado está analisando toda a documentação técnica entregue pela Prefeitura, incluindo os projetos e o diagnóstico financeiro do DAE, para identificar de que forma poderá participar dos investimentos. O governador ressaltou que a intenção é colaborar dentro das possibilidades legais, respeitando o período eleitoral, mas assegurou que o tema continuará sendo tratado como prioridade.

Durante o discurso, Pivetta destacou que o abastecimento de água é uma necessidade básica da população e afirmou que o Estado não ficará indiferente ao problema enfrentado pelo município. Ele lembrou que Várzea Grande precisa superar um gargalo histórico que limita não apenas a qualidade de vida da população, mas também o crescimento econômico da cidade.

O governador também reafirmou que pretende ser parceiro da Prefeitura na recuperação da autarquia e destacou que a solução passa pela elaboração de projetos técnicos consistentes. Segundo ele, cabe ao município estabelecer as prioridades, enquanto o Estado buscará mecanismos para colaborar com os investimentos necessários.

Ao anunciar o pacote de obras para Várzea Grande, que contempla pavimentação asfáltica, investimentos na saúde e a construção do novo Mercado Municipal, Pivetta fez questão de incluir o abastecimento de água entre os principais desafios da gestão pública. Em seu pronunciamento, afirmou que a população pode ter esperança de que essa realidade será transformada e sinalizou que a histórica angústia vivida pelos moradores em relação à falta de água deverá ser enfrentada com ações concretas nos próximos anos.

Ao abordar a situação financeira do município, Flávia foi categórica ao afirmar que a Prefeitura não dispõe de recursos para bancar, sozinha, a reestruturação do DAE.

“Eu não tenho dinheiro. O município de Várzea Grande não tem condições de investir no DAE. Se depender apenas dos cofres municipais, não existe essa possibilidade”, afirmou a prefeita.

A declaração evidencia um problema que se arrasta há décadas e que, segundo a administração municipal, exige investimentos de grande porte para ser solucionado. A Prefeitura encaminhou ao Governo do Estado um diagnóstico completo da autarquia, reunindo informações jurídicas, financeiras, administrativas e operacionais, além de projetos técnicos considerados fundamentais para a recuperação do sistema de abastecimento.

O levantamento contempla propostas de ampliação da captação de água, construção de novas adutoras, expansão das redes de distribuição, modernização das estações de tratamento, implantação de novos reservatórios e ampliação da cobertura de esgotamento sanitário. A expectativa é que o Governo do Estado analise o material e defina em quais frentes poderá atuar para viabilizar os investimentos necessários.

Outro fator que agrava a situação é o envelhecimento da infraestrutura do DAE. Grande parte da rede de distribuição foi implantada há décadas e já não acompanha o crescimento acelerado de Várzea Grande. Tubulações antigas, rompimentos frequentes, elevados índices de perdas de água tratada e limitações operacionais fazem parte dos desafios enfrentados diariamente pela autarquia, comprometendo a regularidade do abastecimento em diversos bairros.

O crescimento populacional registrado nos últimos anos também ampliou significativamente a demanda por água tratada. Novos loteamentos, conjuntos habitacionais e empreendimentos foram incorporados ao município, enquanto a estrutura de produção e distribuição de água evoluiu em ritmo inferior ao necessário. O resultado é um sistema constantemente pressionado, principalmente nos períodos de maior consumo.

Além dos impactos diretos para a população, a deficiência no abastecimento também interfere no desenvolvimento econômico da cidade. A disponibilidade de água é considerada um dos principais requisitos para a instalação de novas empresas, indústrias e empreendimentos imobiliários. Sem investimentos estruturantes, Várzea Grande enfrenta dificuldades para ampliar sua capacidade de crescimento, gerar empregos e atrair novos investimentos privados.

Apesar das dificuldades financeiras, Flávia Moretti reafirmou que não pretende autorizar aumento na tarifa de água antes que a população perceba melhorias efetivas na prestação do serviço. Segundo ela, houve pedido de reajuste apresentado pela agência reguladora e pela própria direção do DAE, mas a proposta foi rejeitada pela administração municipal.

A prefeita revelou que esse entendimento também foi compartilhado durante a conversa com o governador Otaviano Pivetta. Segundo ela, ambos concordam que qualquer discussão sobre reajuste tarifário deve ocorrer somente depois que a população tiver acesso a um abastecimento mais eficiente e regular.

“Enquanto não entregar água para a população, não aumento tarifa”, reforçou.

A estratégia da gestão municipal é buscar uma solução conjunta com o Governo do Estado para recuperar um sistema que há muitos anos enfrenta dificuldades estruturais e financeiras. A expectativa é que, após a análise dos estudos entregues ao Executivo estadual, seja possível estabelecer um plano de investimentos capaz de modernizar o DAE e ampliar a segurança hídrica da segunda maior cidade de Mato Grosso.

Para Flávia Moretti, recuperar o sistema de abastecimento significa muito mais do que resolver um problema operacional. Segundo a prefeita, trata-se de criar as condições necessárias para garantir qualidade de vida à população, fortalecer a saúde pública, impulsionar o desenvolvimento econômico e preparar Várzea Grande para acompanhar seu crescimento nas próximas décadas. O desafio, reconhece a gestora, é grande, mas a solução passa necessariamente por uma parceria entre município e Estado, já que, sozinha, a Prefeitura admite não possuir capacidade financeira para realizar a transformação que o DAE necessita.

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