Pivetta destaca estratégia para transformar crédito de baixo custo em milhares de novas moradias em MT


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JB News

Por Nayara Cristina

Do local Guilherme Augusto

Juros menores para infraestrutura podem acelerar programa habitacional e ampliar acesso à casa própria em Mato Grosso

A política habitacional de Mato Grosso entra em uma nova fase ao combinar planejamento econômico, responsabilidade fiscal e investimentos sociais para enfrentar um dos maiores desafios do Estado: reduzir o déficit habitacional e ampliar o acesso da população à casa própria. Ao comentar o projeto de lei que autoriza uma operação de crédito de aproximadamente R$ 1,5 bilhão, encaminhado pelo Governo do Estado à Assembleia Legislativa, o governador Otaviano Pivetta explicou que a proposta representa uma estratégia financeira para ampliar os subsídios habitacionais sem comprometer os investimentos em infraestrutura.

Durante entrevista concedida nos últimos dias antes do início das restrições impostas pelo calendário eleitoral em Várzea Grande, Pivetta afirmou que não há qualquer preocupação caso a proposta seja apreciada pelos deputados somente após o processo eleitoral. Segundo ele, o projeto já foi oficialmente encaminhado ao Parlamento e agora cabe aos deputados estaduais discutir, analisar e decidir pela aprovação ou não da matéria.

“O projeto já está na Assembleia. Agora é uma decisão dos deputados discutir, aprovar ou não. Se ficar para depois das eleições, não há problema”, afirmou o governador, ao comentar a tramitação da proposta, que atualmente segue o rito normal de análise pelos parlamentares.

Segundo Pivetta, a iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla para fortalecer a política habitacional de Mato Grosso. Ele destacou que o Estado mantém atualmente uma parceria consolidada com a Caixa Econômica Federal, responsável por viabilizar aproximadamente 1.500 financiamentos habitacionais por mês, permitindo que milhares de famílias tenham acesso à moradia própria.

“O Estado está financiando cerca de 1.500 casas por mês em parceria com a Caixa Econômica Federal. Esse é um programa importante para atender a população que mais precisa”, ressaltou.

O governador explicou que um dos pontos mais importantes da operação de crédito está justamente na engenharia financeira utilizada pelo Estado. Conforme detalhou, atualmente não existem linhas específicas para que governos estaduais contratem financiamentos destinados diretamente à construção de moradias populares.

Por essa razão, Mato Grosso optou por utilizar linhas de crédito voltadas à infraestrutura, modalidade que oferece condições muito mais vantajosas, com taxas de juros menores e prazos maiores para pagamento.

“Não existe linha de financiamento para o Estado tomar dinheiro para fazer casas. As linhas disponíveis são para infraestrutura. E elas têm mais prazo, são mais elásticas e possuem juros menores”, explicou.

Segundo Pivetta, essa estratégia permite que o financiamento mantenha o ritmo das grandes obras estruturantes enquanto o Governo desloca recursos próprios do orçamento estadual para subsidiar a aquisição de imóveis pelas famílias beneficiadas.

“Nós tomamos recursos para infraestrutura justamente para manter o nosso plano de obras funcionando. Com isso, conseguimos utilizar recursos do próprio Estado para subsidiar as casas e ajudar as pessoas a comprarem seus imóveis”, afirmou.

O governador também esclareceu que as condições financeiras da operação são semelhantes às obtidas em outras captações realizadas pelo Estado, afastando dúvidas sobre eventual aumento dos custos para os cofres públicos.

“As taxas de juros são as mesmas que conseguimos em outras operações financeiras realizadas pelo Estado”, explicou.

A engenharia financeira apresentada pelo Governo busca preservar o equilíbrio fiscal enquanto amplia a capacidade de investimento em políticas públicas. Na prática, o Estado utiliza crédito de menor custo para financiar infraestrutura e direciona recursos próprios para reduzir o valor pago pelas famílias na aquisição da casa própria, ampliando o alcance dos programas habitacionais.

Além do aspecto econômico, a medida busca enfrentar um problema histórico que afeta milhares de famílias mato-grossenses. Embora Mato Grosso tenha registrado forte crescimento econômico nas últimas décadas, impulsionado principalmente pelo agronegócio, pela indústria e pelo setor de serviços, o déficit habitacional continua sendo um dos principais desafios sociais do Estado.

A maior concentração dessa demanda está justamente na Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá. Cuiabá e Várzea Grande, que concentram a maior população mato-grossense, também reúnem a maior necessidade por moradias populares. O crescimento urbano acelerado, a valorização dos imóveis e o aumento da procura por habitação pressionam constantemente o mercado imobiliário, dificultando o acesso de milhares de famílias de baixa e média renda à casa própria.

Em diversas outras regiões de Mato Grosso, municípios que experimentaram crescimento populacional em função da expansão econômica também passaram a registrar aumento na demanda por habitação, tornando a política pública de moradia uma das prioridades da atual gestão estadual.

Para enfrentar esse cenário, o Governo de Mato Grosso ampliou nos últimos anos os investimentos em programas habitacionais desenvolvidos em parceria com a Caixa Econômica Federal. O Estado complementa os programas federais por meio de subsídios próprios, reduzindo o valor da entrada ou das parcelas financiadas pelas famílias contempladas.

A expectativa é que, com a futura aprovação da operação de crédito pela Assembleia Legislativa, esse modelo seja ampliado, permitindo aumentar o número de famílias beneficiadas sem comprometer a execução das obras de infraestrutura espalhadas pelos municípios mato-grossenses.

Nos últimos dias antes do início das restrições impostas pela legislação eleitoral, o Governo do Estado intensificou a entrega de unidades habitacionais em diferentes regiões. Entre elas, mais de 130 moradias foram entregues em Várzea Grande, reforçando a política estadual voltada à redução do déficit habitacional e à ampliação do acesso à moradia digna.

Na avaliação do governo, investir em habitação significa muito mais do que construir casas. O setor movimenta toda a cadeia da construção civil, gera milhares de empregos diretos e indiretos, fortalece o comércio de materiais de construção, impulsiona a economia regional e melhora significativamente a qualidade de vida da população.

Com a combinação entre crédito de baixo custo, responsabilidade fiscal, parceria com a Caixa Econômica Federal e subsídios estaduais, Mato Grosso aposta em um modelo que busca conciliar crescimento econômico, expansão da infraestrutura e inclusão social. A estratégia defendida por Pivetta pretende assegurar que o Estado continue investindo em obras estruturantes ao mesmo tempo em que amplia o acesso das famílias mato-grossenses ao sonho da casa própria, consolidando uma política pública de longo prazo voltada à redução do déficit habitacional e ao desenvolvimento sustentável.

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