A disseminação de uma notícia falsa envolvendo o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, ganhou novos contornos após um levantamento detalhado da equipe de campanha do parlamentar. Segundo o monitoramento realizado, a origem do boato que circulou intensamente nas redes sociais pode ser rastreada até uma publicação feita pelo influenciador Jeferson de Oliveira Monteiro, conhecido pelo perfil governista “Dilma Bolada”.
A cronologia da desinformação nas redes sociais
De acordo com os dados apresentados pela campanha, o conteúdo inicial foi postado por Jeferson Monteiro às 21h50 de quarta-feira, 23. A mensagem sugeria que o eleitorado católico deveria rejeitar candidatos que, supostamente, pretendiam retirar o título de padroeira da santa. A partir dessa postagem, o tema ganhou tração rapidamente, com outros usuários da rede social X (antigo Twitter) replicando e ampliando a narrativa de que o senador estaria articulando medidas contra o posto oficial da padroeira.
O cenário de desinformação atingiu um novo patamar na noite do dia seguinte, quando o canal GloboNews mencionou a existência de uma suposta mobilização de grupos evangélicos contra o título da padroeira. Embora a emissora tenha emitido uma retratação oficial horas depois, o erro foi utilizado por diversos perfis para reforçar a associação negativa entre o candidato do PL e o tema. A campanha de Flávio Bolsonaro obteve, posteriormente, uma decisão junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para a remoção de mais de 1 mil publicações que propagavam o conteúdo falso.
Contexto histórico e o projeto de lei arquivado
A polêmica baseia-se em um projeto de lei que não possui relação com a atual candidatura de Flávio Bolsonaro. O texto em questão foi apresentado em dezembro de 2007 pelo então deputado federal Victório Galli, que propunha alterações na lei que instituiu o feriado de 12 de outubro. A proposta visava restringir a nomenclatura de “padroeira do Brasil” para “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.
O referido projeto, contudo, foi arquivado ainda em agosto de 2008 após recomendação do relator na Comissão de Educação e Cultura, o então deputado Átila Lira. O parecer técnico apontou a “total falta de amparo constitucional” da medida, encerrando a tramitação da proposta há quase duas décadas. Apesar disso, a desinformação foi resgatada e impulsionada por influenciadores digitais, gerando um desgaste significativo junto ao eleitorado religioso.
Repercussão e medidas judiciais
A campanha de Flávio Bolsonaro identificou uma rede de perfis que, mesmo após os desmentidos e a retratação da emissora, continuou a disseminar as informações distorcidas. Entre os casos citados está o de George Marques, coordenador da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, que chegou a compartilhar orientações para que a informação não fosse desmentida, visando manter o impacto negativo no interior das regiões Norte e Nordeste. A defesa do candidato solicitou a prisão do servidor público.
O perfil “Dilma Bolada”, que se notabilizou pela sátira política em 2013 e pela defesa da reeleição de Dilma Rousseff em 2014, também foi apontado pela equipe de Flávio como um dos principais vetores da campanha de desinformação. Jeferson Monteiro, que ocupou cargo na Empresa Brasil de Comunicação (EBC) no atual governo de Luiz Inácio Lula da Silva, foi exonerado em agosto de 2023. O caso ilustra o desafio do combate às fake news no ambiente digital, onde narrativas descontextualizadas podem alcançar milhões de visualizações em poucas horas.
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