“Houve movimento para dificultar minha eleição a mesa” diz Ilde Taques sobre continuar na disputa e falta de diálogo com Paula Calil
JB News
Por Nayara Cristina
Do local Guilherme Augusto
A disputa pela presidência da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá ganhou novos capítulos nesta terça-feira com declarações do vereador Ilde Taques ( Podemos ), um dos principais concorrentes da atual presidente, Paula Calil (PL), . Em entrevista à imprensa, o parlamentar afirmou que estranhou a forma como a atual chefe do Legislativo conduziu sua decisão de disputar a reeleição e revelou que só tomou conhecimento da candidatura dela por meio da imprensa.
Segundo Ilde Taques , apesar das divergências no processo eleitoral da Mesa Diretora, o relacionamento institucional entre ambos permanece respeitoso. Ele explicou que continua dialogando com Paula Calil sobre projetos e pautas de interesse da capital, mas reconheceu que as conversas relacionadas especificamente à eleição da presidência foram interrompidas.
O vereador relembrou que, no início das articulações políticas, existia um entendimento para a formação de uma composição conjunta, na qual Paula Calil ocuparia a Primeira-Secretaria da futura Mesa Diretora. No entanto, o cenário mudou quando a atual presidente decidiu colocar seu nome novamente na disputa pelo comando da Casa.
“Eu não vou dizer que me senti traído, mas confesso que estranhei a forma como tudo foi conduzido. Fui pego de surpresa e descobri pela imprensa que ela seria candidata. Ela tem todo o direito de disputar, mas acredito que poderia ter conversado comigo antes”, afirmou.
Na avaliação de Ilde Taques , um diálogo prévio poderia ter alterado completamente o cenário político da eleição.
“Se ela tivesse conversado comigo, talvez o curso dessa eleição fosse outro. Poderíamos ter reconstruído um grupo em conjunto e chegado a um entendimento. Muita coisa poderia ter acontecido de forma diferente”, declarou.
Durante a entrevista, o vereador também comentou sobre a votação da proposta de alteração do Regimento Interno da Câmara, considerada estratégica para a eleição da nova Mesa Diretora. Segundo ele, a apreciação da matéria servirá como um importante termômetro da força política da atual presidente dentro do Legislativo.
Ilde afirmou que aguarda o resultado da votação para avaliar o cenário, mas acredita que, caso a proposta não obtenha êxito, novos apoios poderão surgir em torno de sua candidatura.
“Nós seguimos trabalhando toda semana para ampliar nossa base. Se o regimento não passar, a tendência é aumentar o número de apoiadores. Estamos conversando com os vereadores e construindo esse projeto”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de mudanças em seu grupo político caso o novo regimento seja aprovado, Ilde disse que pretende manter sua base unida e destacou que ainda não é possível fazer uma projeção definitiva, já que as chapas e candidaturas oficiais ainda não foram formalizadas.
O parlamentar também voltou a afirmar que, desde o início das articulações, percebe movimentações políticas para dificultar sua chegada à presidência da Câmara.
Segundo ele, quando lançou sua pré-candidatura contava com aproximadamente 20 vereadores apoiando seu projeto. Com a entrada de Paula Calil na disputa, o cenário mudou e parte desse grupo migrou para outras articulações.
“Desde o início vejo um movimento para dificultar minha eleição. Quando comecei, tinha cerca de 20 apoiadores. Depois que o nome da Paula surgiu como candidata, o tabuleiro político mudou e hoje estamos com cerca de 13 votos. Mesmo assim continuo muito confiante”, declarou.
Apesar da disputa acirrada, Ilde Taques afirmou que sua prioridade continua sendo a construção de um consenso entre os parlamentares, defendendo uma eleição capaz de unificar o Legislativo cuiabano.
“A minha proposta continua sendo buscar o consenso dentro da Câmara e, se possível, chegar à eleição com apenas uma chapa construída pelo diálogo”, disse.
Ao ser questionado se existe qualquer possibilidade de retirar sua candidatura à presidência da Mesa Diretora, o vereador foi categórico.
“Da minha parte, não existe possibilidade de desistência.”
As declarações reforçam o clima de intensa articulação política nos bastidores da Câmara de Cuiabá, onde a eleição da próxima Mesa Diretora promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos. Enquanto os grupos seguem contabilizando apoios e negociando alianças, a votação das mudanças no Regimento Interno é vista como um dos principais indicativos da correlação de forças que deverá prevalecer na escolha do novo comando do Legislativo municipal.
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