O clima nos bastidores da política mato-grossense esquentou logo após o encerramento das urnas. O deputado estadual reeleito Gilberto Cattani (PL), um dos nomes mais votados do pleito, protagonizou um confronto direto com seu correligionário, o deputado eleito Alcino Barcelos (PL). Em uma declaração pública que repercutiu rapidamente nas redes sociais, Cattani questionou a postura de Alcino durante a campanha eleitoral, alegando que o ex-prefeito de Pontes e Lacerda teria pedido votos contra ele.
A disputa por votos e a dinâmica do sistema proporcional
A tensão entre os dois parlamentares do Partido Liberal (PL) gira em torno da lógica do sistema proporcional brasileiro. Cattani, que obteve 69.672 votos, consolidou-se como o parlamentar mais votado da legenda, garantindo uma posição de protagonismo na Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Em contrapartida, Alcino Barcelos conquistou 22.624 votos, sendo o quarto nome do partido a garantir uma cadeira no parlamento estadual.
O argumento central de Cattani é que o desempenho expressivo de sua candidatura foi determinante para que o quociente eleitoral do partido fosse atingido, permitindo a eleição de outros membros da legenda, incluindo Alcino. Ao confrontar o colega, o deputado reeleito afirmou: “Então, nunca mais você pede para não votar em mim, porque, graças a mim, você é deputado”. A declaração, feita em tom de cobrança, expõe as fragilidades e as disputas internas que frequentemente ocorrem em partidos que buscam maximizar cadeiras no legislativo.
Repercussão e o desafio da convivência parlamentar
A resposta de Alcino Barcelos ao episódio foi contida, porém direta. Ao comentar a publicação que expôs o embate, o deputado eleito limitou-se a escrever “DESNECESSÁRIO” em letras maiúsculas. O termo reflete o desconforto gerado pela exposição pública de uma divergência que, em teoria, deveria ser tratada internamente entre os membros da mesma bancada.
Este episódio levanta questões sobre como será a articulação do PL na Assembleia Legislativa. Com a proximidade da posse, a necessidade de unidade partidária entra em conflito com as rusgas pessoais acumuladas durante o período eleitoral. A convivência entre os dois deputados, que agora dividirão o mesmo espaço de trabalho e as mesmas pautas partidárias, será um teste de resiliência política para a bancada liberal no estado.
O cenário reflete a complexidade das campanhas em Mato Grosso, onde a disputa por votos dentro de uma mesma sigla pode ser tão intensa quanto a disputa contra adversários de outros campos ideológicos. A situação segue sendo acompanhada de perto por observadores políticos, que buscam entender se o atrito será superado ou se terá desdobramentos na atuação legislativa dos parlamentares.
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