“Ela ainda se mexia quando foi queimada”, diz delegada sobre feminicídio que chocou Várzea Grande
JB News
Por Emerson Teixeira
Novos detalhes revelados pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) lançaram luz sobre a brutalidade do assassinato de Josivany Borges de Amorim Rodrigues, de 45 anos, encontrada morta após ser atacada em Várzea Grande. Segundo a delegada Jéssica Assis, responsável pelo caso, o suspeito Gabryel Junio de Almeida Dirceu confessou que ateou fogo no corpo da vítima quando ela ainda apresentava sinais de vida.

Durante entrevista à imprensa, a delegada afirmou que a investigação poderá avançar para outras tipificações criminais, diante dos elementos revelados pelo próprio investigado.
“Quando ateou fogo ao corpo da vítima, ela ainda estava viva. Ele disse que ela ainda se mexia, não conseguia balbuciar, mas estava naquele período que chamamos de período perimorte”, declarou Jéssica Assis.
Segundo a delegada, a Polícia Civil solicitou análises complementares à Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) para esclarecer se o incêndio do corpo ocorreu após a morte ou se a vítima ainda estava viva naquele momento.
“Vamos ter que fazer uma requisição complementar à Politec para verificar se realmente se tratou apenas de um feminicídio, se houve exaurimento do crime, se pode ter sido configurado um crime de tortura ou se foi apenas uma impressão do suspeito e se trata efetivamente de uma ocultação de cadáver”, explicou.

O crime ocorreu em um terreno baldio na região central de Várzea Grande. Após dias de investigação, policiais da DHPP localizaram e prenderam Gabryel em uma residência no bairro Dom Aquino, em Cuiabá.
De acordo com as investigações, o suspeito alegou que havia marcado um encontro com a vítima e que ambos discutiram antes do assassinato. Entretanto, a versão apresentada por ele possui diversas contradições.
“Há uma contradição especialmente porque observamos que a bolsa da vítima estava sendo carregada por ele. Também há contradição no próprio desenho dos fatos. Ele diz que a vítima não queria ser empurrada para o mato. Como pode alegar que houve uma relação consentida se a vítima disse não?”, questionou a delegada.
Para a autoridade policial, as declarações do investigado reforçam a tese de feminicídio e demonstram a violência empregada contra a vítima.
A delegada também fez um desabafo ao comentar o caso, classificando o crime como revoltante e símbolo da violência enfrentada diariamente pelas mulheres.
“É um caso revoltante, um caso chocante. Mostra o quanto é difícil ser mulher na sociedade. Esse feminicídio demonstra como a rejeição e o não da mulher não valem nada para alguns agressores, que não nos consideram como seres humanos”, afirmou.

Jéssica Assis ainda relacionou o episódio a outro crime recente que causou indignação em Mato Grosso, envolvendo uma adolescente de 12 anos morta pelo próprio pai. Segundo ela, os dois casos evidenciam a persistência da violência de gênero e a tentativa de controlar a autonomia feminina por meio da força.
“As mulheres são punidas simplesmente por se expressarem, por terem vontade própria. São crimes que demonstram desprezo e crueldade contra o corpo feminino”, destacou.
A Polícia Civil continua reunindo provas para concluir o inquérito. Dependendo do resultado dos laudos periciais, novas qualificadoras e até outros crimes poderão ser incluídos na investigação, ampliando a responsabilização criminal do suspeito.
Preso preventivamente, Gabryel Junio de Almeida Dirceu permanece à disposição da Justiça enquanto o caso segue sob investigação da DHPP.
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