A defesa de Antônio Gomes da Silva, executor confesso do assassinato do advogado Roberto Zampieri, anunciou que levará ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) um pedido de anulação do julgamento que o condenou a 21 anos, 10 meses e 15 dias de prisão. O crime, ocorrido em dezembro de 2023 no bairro Bosque da Saúde, em Cuiabá, teve grande repercussão e culminou em uma sentença proferida pelo Tribunal do Júri após sessões realizadas entre o final de setembro e o início de outubro.
Insistência na tese de insanidade mental
O ponto central do recurso apresentado pelos advogados Neyman Monteiro e Nilton Ribeiro é a tentativa de reverter a decisão que negou a instauração de um incidente de insanidade mental do réu. Durante o segundo dia de julgamento, a defesa solicitou a suspensão do processo para uma avaliação psiquiátrica, argumentando que o comportamento de Antônio Gomes da Silva, como o uso de gelo na cabeça para manter a calma e a ausência de tentativa de ocultação do rosto após o crime, seriam indícios de instabilidade.
Os advogados também trouxeram aos autos relatos de que o condenado teria histórico de internações e ouviria “vozes”. Contudo, o juiz da 11ª Vara Criminal de Cuiabá Especializada em Justiça Militar, José Mauro Nagib Jorge, rejeitou o pedido na ocasião. O magistrado fundamentou que o réu demonstrou falas coesas, compreensão clara do processo e dos fatos durante seu interrogatório, não havendo elementos concretos que justificassem a dúvida sobre sua sanidade.
Contestação do Ministério Público e desdobramentos
O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPE-MT) manteve uma postura firme durante o júri, contestando a manobra da defesa. Os promotores destacaram que o argumento da insanidade não foi levantado em nenhum momento nos mais de dois anos de tramitação do processo e que não existiam documentos médicos que sustentassem a alegação no momento do julgamento.
Embora o recurso seja focado na situação de Antônio Gomes da Silva, a defesa não descarta que uma eventual decisão favorável dos desembargadores possa impactar os demais condenados no mesmo processo: Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas, sentenciado a 21 anos, 10 meses e 15 dias, e Hedilerson Fialho Martins Barbosa, que recebeu pena de 25 anos. “Nós vamos pedir em relação ao Antônio Gomes, mas os desembargadores que analisam e decidem, se estendem aos corréus, caso obtenhamos sucesso”, explicou Neyman Monteiro.
Contexto do crime e situação dos condenados
O caso, que chocou a comunidade jurídica de Mato Grosso, foi classificado como homicídio triplamente qualificado. Antônio Gomes da Silva confessou ter disparado contra Roberto Zampieri e, durante o julgamento, chegou a declarar que cometeria o ato novamente, motivado por uma suposta cruzada pessoal contra a corrupção, versão que foi rebatida pelo MPE-MT.
Após a condenação, a logística de cumprimento de pena tem sido alvo de movimentações. Enquanto Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas obteve autorização judicial para ser transferido para Belo Horizonte (MG), a fim de ficar próximo à família, Antônio Gomes da Silva manifestou o desejo de permanecer em Mato Grosso, apesar de ter tido a transferência para Minas Gerais autorizada pela Justiça. Para mais detalhes sobre o desdobramento deste caso e outras notícias relevantes, continue acompanhando o Play Notícias News, seu portal de confiança para informações atualizadas e aprofundadas.
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