Quaest: Lula percebeu que Brasil não se divide só entre ricos e pobres


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Uma série de medidas focadas em aumentar o poder aquisitivo e aliviar a pressão no pescoço dessa fatia da população começaram a ganhar as ruas nos últimos meses. A isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês (tendo em vista que os mais pobres já eram isentos) foi o carro-chefe de uma guinada que ainda incluiu o programa Desenrola 2 para renegociação e abatimento de dívidas, a queda na polêmica “taxa das blusinhas” (que havia sido imposta com o aval do próprio governo, gerando imenso desgaste) e a oferta de crédito barato para que motoristas e entregadores de aplicativos possam comprar carros, motos e bicicletas a preços mais baixos, entre outras medidas.

A leitura interna finalmente virou para a realidade: o Brasil é mais complexo do que uma disputa retórica entre o andar de cima e o andar de baixo. Mais sentido faria apontar que os interesses dos trabalhadores e dos pequenos empreendedores não é o mesmo dos grandes empresários e do mercado financeiro.

E aqui entra a mudança de compreensão sobre a relação do brasileiro com o próprio bolso. Em 18 de junho de 2023, lançamento da primeira etapa do Desenrola, Lula afirmou: “Pobre não gosta de dever, gosta de pagar o que deve. Todo mundo quer andar de cara limpa, de cabeça erguida. Só quem gosta de dever muito é rico. Tem o ditado que diz que rico tem duas alegrias: uma quando toma o dinheiro emprestado e outra quando não paga. Pobre tem duas tristezas: não pode tomar dinheiro emprestado, quando toma, não pode pagar”.

O governo percebeu que quem tem pavor de ter o nome sujo em cadastros de inadimplência e quer facilidades para pagar débitos é, de forma muito mais aguda, a classe média, já que os mais pobres, frequentemente, sequer têm margem financeira para contrair crédito e se endividar. Ao facilitar essa regularização financeira, o Planalto toca no calcanhar de Aquiles da população espremida no meio da tabela.

Os reflexos práticos dessa mudança de rota ficam evidentes nos dados da pesquisa Genial/Quaest divulgada hoje. Entre aquelas famílias que recebem até 2 salários mínimos, a aprovação do presidente é alta, batendo nos 58%. Já entre a classe média média e média alta, que ganham mais de 5 salários mínimos (os ricos são estatisticamente pouco relevates nesse pacote), a desaprovação caiu de 60% para 54% e a aprovacão subiu de 35% para 41% no último mês. Entre quem ganha 2 a 5 salários mínimos, desaprovação oscilou de 48% para 50% e a aprovação de 46% para 45%.

Coincidentemente essa correção de rumo e o foco nas políticas para a classe média tenham ganhado fôlego e concretude exatamente no momento em que ocorreram mudanças no núcleo duro do governo.





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