A defesa do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que responde como réu pelo feminicídio da soldado Gisele Alves Santana, protocolou na última terça-feira (6) um pedido de revogação da prisão preventiva. A solicitação, que busca a soltura do oficial, foi confirmada nesta quarta-feira (7) pelo advogado que representa a família da vítima.
O caso, que chocou a corporação e a sociedade paulista, segue em fase de desdobramentos judiciais. Enquanto a defesa técnica do acusado busca reverter a detenção, os pais de Gisele, José Simonal Telles de Santana e Marinalva Vieira Alves de Santana, posicionaram-se de forma contrária à liberdade do tenente-coronel, defendendo a manutenção da prisão preventiva até a conclusão do processo.
Argumentos da acusação e riscos processuais
A discordância entre as partes reside na interpretação sobre a necessidade da custódia cautelar. A defesa do réu sustenta que, com o encerramento da fase de instrução, não haveria mais fundamentos legais para manter o oficial detido. Contudo, os familiares da vítima argumentam que o risco permanece latente.
Segundo a assistência de acusação, existem elementos que justificam a permanência do tenente-coronel no presídio militar Romão Gomes. Entre os pontos levantados estão relatos de que o acusado teria tentado manter contato com testemunhas e proferido ataques direcionados à vítima, aos seus familiares e aos agentes que atuaram nas investigações.
Laudos periciais e a tese de feminicídio
Um dos pilares que sustentam a acusação contra o oficial é o conjunto de laudos periciais produzidos pelo Instituto de Criminalística de São Paulo. Esses documentos técnicos foram fundamentais para afastar a hipótese de suicídio, tese inicialmente levantada pelo acusado. A perícia apontou a impossibilidade física de Gisele ter efetuado o disparo contra a própria cabeça, além de identificar inconsistências graves na versão apresentada pelo tenente-coronel.
As investigações revelaram que o oficial teria tentado simular um cenário de autodestruição, posicionando a arma na mão da vítima e alterando o local do crime. Além disso, foram encontrados vestígios de sangue nas roupas do réu e indícios de que ele teria tomado banho logo após o ocorrido, possivelmente para eliminar provas. O Ministério Público sustenta que o crime foi motivado por sentimento de posse e pela recusa do acusado em aceitar o término do relacionamento.
Contexto do crime e desdobramentos
A soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada morta em seu apartamento no bairro do Brás, na região central de São Paulo, no dia 18 de fevereiro. O que começou como uma ocorrência tratada inicialmente como suicídio transformou-se em uma investigação complexa de feminicídio qualificado e fraude processual.
O caso ganha contornos de urgência à medida que a Justiça avalia os novos pedidos da defesa. A insistência do acusado em manter a versão de que Gisele teria “surtado” e cometido suicídio é frontalmente contestada pelos laudos, que comprovam, por exemplo, que a arma utilizada estava guardada em um local de difícil acesso para a vítima e que a visão do local do suposto suicídio era impossível a partir do banheiro, onde o tenente-coronel alegou estar no momento do disparo.
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