Sonda Curiosity revela amanhecer em Marte com formações rochosas milenares
A sonda Curiosity registrou um amanhecer em Marte, revelando formações rochosas milenares no Monte Sharp. Confira os detalhes desta descoberta.
O cientista planetário Ashwin Vasavada, do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, explica que os picos observados são formações geológicas conhecidas como yardangs. “Acreditamos que, em algum momento, tenha sido um sedimento transportado pelo vento — talvez areia ou até mesmo cinzas — que foi levado para dentro da cratera a partir de atividades vulcânicas nas proximidades”, detalha o especialista. Após a solidificação do material, a erosão eólica constante moldou essas cristas ao longo de eras.
Geologia e o mistério do tempo em Marte
As análises preliminares sugerem que a camada de yardang se formou há aproximadamente 3 bilhões de anos. Contudo, o que intriga os pesquisadores é a sua posição geológica. Segundo Vasavada, essa formação não pertence à sequência contínua de camadas que compõem a estrutura principal do Monte Sharp. Ela está situada acima de uma “discordância”, termo utilizado na geologia para descrever uma lacuna temporal onde camadas anteriores sofreram erosão antes da deposição de novos sedimentos.
A subida da sonda já permitiu que ela ganhasse mais de 1 km de altitude, estabelecendo um marco de elevação em missões marcianas. Ao estudar cada camada do monte, a equipe científica busca reconstruir o passado do planeta, período em que Marte abrigava lagos e riachos, apresentando condições muito mais quentes e úmidas do que o ambiente desolado que observamos atualmente.
Próximos passos da exploração planetária
O compromisso da Nasa com a investigação de Marte segue rigoroso. A expectativa é que a Curiosity alcance a camada de yardang entre 2027 e 2028, permitindo uma análise detalhada com os instrumentos de bordo. O objetivo central permanece a busca por sinais de condições que pudessem sustentar vida microbiana no passado remoto.
Enquanto a Curiosity explora o Monte Sharp, a sonda Perseverance continua suas atividades nas margens da cratera Jezero, no hemisfério norte. Para o cientista Ashwin Vasavada, a experiência visual de observar essas imagens é quase poética. “Essa cena tem uma natureza selvagem que me lembra uma viagem de carro pelo Monument Valley, no Arizona. Dá quase para sentir o silêncio e o espaço aberto infinito sob o céu. Mas, por mais familiar que isso pareça, o céu é alaranjado e o nascer do Sol tem tons de azul”, conclui.
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