”‘Não tem lógica’: Max Russi reage contra pedágio no Pantanal e amplia pressão para barrar concessão entre Livramento e Poconé”


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JB News

Por Nayara Cristina

A possibilidade de implantação de uma praça de pedágio entre os municípios de Nossa Senhora do Livramento e Poconé provocou forte reação na Assembleia Legislativa de Mato Grosso e intensificou a mobilização política contra a medida. O presidente da ALMT, deputado Max Russi (Podemos), classificou a proposta como sem sentido e afirmou que a cobrança representaria um duro golpe para os pequenos produtores rurais, moradores da região e para uma das principais rotas turísticas do Estado.

A manifestação ocorreu após deputados estaduais levarem o tema ao plenário e alertarem para os impactos econômicos e sociais que a concessão poderá provocar caso avance. Segundo Max, a instalação de um pedágio em uma região marcada pela agricultura familiar e pelo turismo ecológico não se justifica e acabaria penalizando justamente quem depende diariamente da rodovia para trabalhar, produzir e se deslocar.

“O trecho entre Livramento e Poconé é formado por pequenos agricultores e por uma região estratégica para o Pantanal e para o turismo. Não tem lógica implantar um pedágio ali. A medida não traz benefício ao Estado e apenas criará dificuldades para quem vive e produz na região”, afirmou o parlamentar.

Max revelou ainda que recebeu uma ligação do prefeito de Nossa Senhora do Livramento, Dr. Thiago, que demonstrou preocupação com os possíveis prejuízos da concessão. Segundo o presidente da Assembleia, o tema exige uma resposta firme do Parlamento para impedir que a população arque com novos custos de deslocamento em uma área considerada essencial para o desenvolvimento regional.

O debate ganhou força após o Governo de Mato Grosso incluir aproximadamente 124,8 quilômetros das rodovias MT-060 e MT-451 no chamado Lote F da segunda etapa do Programa de Concessões Rodoviárias 2023-2026. A proposta prevê que esses trechos passem à administração da iniciativa privada, abrindo caminho para a futura cobrança de tarifas de pedágio destinadas à manutenção e operação das vias.

Embora o modelo de concessão tenha como objetivo ampliar investimentos na infraestrutura rodoviária, parlamentares argumentam que a realidade econômica da região exige tratamento diferenciado. Eles sustentam que milhares de agricultores familiares utilizam diariamente essas estradas para transportar alimentos, acessar mercados consumidores e garantir o escoamento da produção, o que faria do pedágio um novo fator de aumento dos custos de produção.

Além do setor agrícola, a preocupação também alcança o turismo. Poconé é considerada uma das principais portas de entrada do Pantanal mato-grossense, recebendo visitantes brasileiros e estrangeiros durante todo o ano. Representantes do setor avaliam que uma nova tarifa poderia elevar os custos das viagens, afetando pousadas, hotéis, restaurantes, guias turísticos e toda a cadeia econômica ligada ao ecoturismo.

As comunidades rurais de Cangas, Chumbo, Campina de Pedra e Figueira também estão entre as localidades que seriam diretamente impactadas caso a cobrança seja implementada, já que seus moradores utilizam diariamente os trechos incluídos no projeto de concessão para acessar serviços públicos, centros urbanos e atividades comerciais.

Diante da reação da população e da mobilização dos deputados estaduais, o cenário começou a mudar. O deputado Diego Guimarães, integrante da base governista, informou que o Executivo estadual deverá suspender, ao menos temporariamente, o avanço da proposta para reavaliar a situação. Como reflexo imediato da pressão política, o Governo também cancelou a audiência pública virtual que estava marcada para o próximo dia 21 de julho e que discutiria a concessão das rodovias e a possível implantação do pedágio.

A suspensão do debate foi interpretada como um recuo estratégico diante da forte resistência apresentada por prefeitos, parlamentares, produtores rurais, lideranças comunitárias e representantes do setor turístico. Mesmo assim, Max Russi afirmou que a Assembleia continuará acompanhando o tema de perto para impedir que a proposta volte a avançar sem amplo diálogo com a população.

Para o presidente da ALMT, investir na pavimentação e na melhoria da infraestrutura da região é necessário, mas isso não pode ocorrer às custas de quem vive do campo e depende diariamente dessas rodovias. Segundo ele, o desenvolvimento do Pantanal passa por políticas públicas que fortaleçam a produção, o turismo e a mobilidade, e não pela criação de novos custos para moradores e trabalhadores da região.



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