Neste sábado (10), o Galpão Bela Maré, no Rio de Janeiro, torna-se palco para a exibição de produções que traduzem a vivência cotidiana do Complexo da Maré sob uma nova perspectiva. A mostra de curta-metragens, que integra o projeto Curta Periferias, reúne obras gravadas inteiramente por meio de dispositivos móveis, fruto do trabalho de 40 jovens da região. O evento, com início marcado para as 10h, celebra o encerramento de um ciclo de formação audiovisual que busca descentralizar a produção cinematográfica no Brasil.
Formação técnica e fomento à criticidade
A iniciativa é resultado de uma parceria estratégica entre a Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro e a Universidade Internacional das Periferias (Uniperiferias), contando com o suporte do projeto Cine Sesi, da rede Firjan Sesi. Desde 2023, o Cine Sesi promove o acesso à cultura e ao aprendizado técnico em unidades de ensino, mas a edição deste ano marcou um passo importante ao expandir suas atividades para turmas externas, voltadas especificamente aos moradores da Maré.
Segundo Vinicius Mano, gerente de Educação da Firjan Sesi, o projeto se sustenta em dois pilares fundamentais: o cineclubismo e a produção prática. “Os alunos aprendem a analisar imagens e a compreender como diretores conduzem narrativas, desenvolvendo o raciocínio crítico. Paralelamente, eles participam de oficinas de roteiro, fotografia e direção, ferramentas essenciais para que possam expressar sua própria criatividade com autonomia”, destaca.
Autonomia e protagonismo territorial
Para além do aprendizado técnico, o projeto carrega um forte componente de afirmação social. Matheus Affonso, coordenador de Tecnologia e Inovação na Uniperiferias e morador da região, enfatiza que a proposta visa devolver aos sujeitos periféricos o controle sobre suas próprias histórias. A ideia é que o cinema deixe de ser um olhar externo sobre a favela e passe a ser uma ferramenta de autoexpressão.
“Promover a dignidade de moradores de favelas é a nossa missão. Foi extremamente positivo ver jovens ganhando autonomia e sentindo-se confortáveis para narrar a história de seu próprio território”, afirma Affonso. Essa abordagem permite que temas como ancestralidade, sonhos de infância e o impacto de projetos sociais sejam tratados com a profundidade que apenas quem vivencia o cotidiano local consegue imprimir.
Diversidade e novas perspectivas no audiovisual
A mostra reflete a pluralidade de vozes que compõem o Complexo da Maré. Entre as produções em destaque está o filme Àdúrà, que explora a força das ancestralidades. Kley Hudson, integrante da equipe responsável pela obra, aponta o projeto como um divisor de águas em sua trajetória pessoal e profissional. “Poder estar em uma formação que me estimula a criar histórias para corpos parecidos com o meu é algo extremamente rico”, relata a jovem, que encontrou no curso um espaço de acolhimento para sua identidade trans e travesti.
A programação do evento segue até as 13h, momento em que os curtas mais bem avaliados serão premiados. O portal oficial do governo reforça a importância de políticas públicas que fomentem a cultura em áreas vulneráveis, garantindo que o acesso à tecnologia e à arte seja um direito democrático. O Play Notícias News segue acompanhando iniciativas que transformam a realidade social através da cultura e da inovação. Continue conosco para mais reportagens sobre o cenário cultural brasileiro e os desdobramentos de projetos que impactam a vida nas periferias.
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