História e geopolítica entram em campo na final entre Espanha e Argentina
Na Argentina, os debates acalorados nas redes sociais perdem força diante do desafio em termos essencialmente de futebol, opina o acadêmico argentino Pablo Alabarces, principal referência na Argentina da sociologia do esporte. Alabarces é professor titular do seminário de Cultural Popular e Cultura de Massas na Faculdade de Comunicação da Universidade Nacional de Buenos Aires (UBA), a mais importante do país.
Disputa entre primos
Para ele, o jogo entre Espanha e Argentina será “uma disputa entre primos”. “O passado colonial está há 200 anos de distância, é muito tempo. A relação entre colonizador e colônia, na minha opinião, foi matizada pela migração de espanhóis para a Argentina [no século XX]”, explica Alabarces, cujo avô e primeiro sogro eram espanhóis.
“Existe, ainda, a migração mais recente de argentinos para a Espanha, entre eles muitos jogadores de futebol. Messi brilhou no Barcelona. Maradona passou pelo Barcelona e o Sevilla. Vários jogadores da seleção jogam na Espanha e milhares de argentinos rumaram para cidades espanholas nas últimas décadas”, acrescenta o especialista argentino.
Para Alabarces e para a grande maioria dos argentinos, a final da Copa do Mundo se trata apenas de futebol. A meta é derrotar a que é hoje a melhor seleção da Europa, e conquistar a quarta Copa do Mundo, quatro anos depois de ter conquistado a terceira.
Desde 1962, quando o Brasil venceu a Copa pela segunda vez consecutiva — depois da vitória de 1958 —, nenhum país conseguiu a mesma façanha. Se isso for alcançado pela Argentina terá, sem dúvidas, um sabor especial para os argentinos.
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