“Imagens podem identificar autor de descarte de feto de 35 semanas em lixeira de condomínio de Várzea Grande” diz DHPP


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JB News

Por Emerson Teixeira

Um caso que chocou moradores de Várzea Grande mobilizou equipes da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na manhã desta quinta-feira (23). Um feto do sexo feminino, com idade gestacional estimada entre 30 e 35 semanas, foi encontrado dentro de um saco de lixo na lixeira interna do Condomínio Chapada dos Poetas. A principal linha de investigação aponta que o corpo tenha sido descartado por alguém ligado ao próprio residencial, seja morador ou visitante.

A descoberta foi feita por um funcionário responsável pela coleta de lixo do condomínio. Ao levar os resíduos para a área de separação, ele percebeu que havia um corpo dentro de um dos sacos e acionou imediatamente o Corpo de Bombeiros, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Polícia Civil. As equipes constataram que o feto já estava sem sinais vitais.

O delegado Rogério Gomes, responsável pela ocorrência, afirmou que as primeiras informações indicam que o descarte ocorreu dentro do condomínio, já que a lixeira fica localizada na área interna do residencial.

“Infelizmente foi localizado um feto, recém-nascido, aparentando ter entre 30 e 35 semanas de gestação. Ele estava dentro de um saco de lixo na lixeira do condomínio e foi encontrado por um dos trabalhadores da coleta. Tudo indica, de forma preliminar, que esse material tenha sido descartado por alguém que estava no interior do condomínio”, declarou.

Segundo o delegado, a prioridade agora é identificar quem deixou o corpo no local e esclarecer exatamente o que aconteceu antes do descarte. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de um aborto clandestino, mas ressalta que todas as possibilidades permanecem em aberto até a conclusão dos exames periciais.

As câmeras de monitoramento do condomínio serão determinantes para reconstruir a movimentação de moradores e visitantes nas horas que antecederam a descoberta. Equipes da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) já recolheram as imagens, que serão analisadas minuciosamente pelos investigadores.

Além dos registros de vídeo, materiais encontrados junto ao saco de lixo também foram recolhidos para exames laboratoriais. A expectativa é que análises de DNA e outros vestígios permitam identificar a pessoa responsável pelo descarte.

“Nós vamos levantar todas as imagens do condomínio, conversar com moradores para identificar possíveis gestantes que residiam ou frequentavam o local e realizar exames em todos os materiais recolhidos na lixeira para buscar DNA ou qualquer elemento que possa levar ao responsável”, explicou Rogério Gomes.

Outro ponto considerado decisivo para o rumo da investigação será o laudo da necropsia. Os exames deverão esclarecer se o feto morreu ainda no útero, durante um eventual procedimento abortivo, ou se chegou a nascer com vida antes de morrer.

Essa conclusão poderá alterar completamente o enquadramento jurídico do caso.

“O exame pericial será fundamental. Cada circunstância gera uma repercussão penal diferente. Se ficar comprovado que houve aborto, poderá haver responsabilização por esse crime. Se nasceu sem vida, pode haver outra configuração jurídica, inclusive eventual vilipêndio de cadáver. Tudo dependerá daquilo que a investigação conseguir comprovar”, ressaltou o delegado.

Durante a perícia inicial, os investigadores observaram algumas alterações físicas no corpo, como uma leve luxação nos braços e uma deformação na cabeça. No entanto, segundo a autoridade policial, essas características podem ser compatíveis com o próprio processo de parto e somente os exames técnicos poderão apontar se houve qualquer tipo de violência.

Embora o feto estivesse praticamente com a formação completa, a Polícia Civil evita qualquer conclusão precipitada sobre as causas da morte.

A DHPP agora concentra esforços na identificação da mulher envolvida e na reconstituição dos fatos. Caso seja confirmada a participação de outras pessoas em um eventual aborto clandestino ou no descarte do corpo, elas também poderão ser responsabilizadas criminalmente.

As investigações seguem em andamento e o caso permanece sob sigilo para preservar a coleta de provas e a identificação dos envolvidos.

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