ULTIMAS NOTICIAS

Adidas inicia batalha judicial contra marca australiana por uso de listras

Adidas processa marca australiana White Fox por uso de design de quatro listras. Disputa judicial sobre propriedade intelectual segue até 2027.

Adidas inicia batalha judicial contra marca australiana por uso de listras
REUTERS / Lisi Niesner

A gigante alemã do setor esportivo, Adidas, deu início a um novo capítulo em sua histórica estratégia de proteção de propriedade intelectual. A companhia apresentou uma ação judicial na Corte Federal da Austrália contra a White Fox Boutique, marca de moda on-line, sob a acusação de uso indevido de um design de quatro listras em suas peças de vestuário. Para a multinacional, o padrão utilizado pela empresa australiana é excessivamente semelhante ao seu icônico símbolo de três listras, o que poderia gerar confusão entre os consumidores.

O litígio, oficializado em 18 de setembro, é o desdobramento de uma série de tentativas frustradas da Adidas em resolver a questão extrajudicialmente. Segundo a empresa, solicitações formais para que a White Fox interrompesse a comercialização das peças foram enviadas ao longo de 2026, mas não obtiveram sucesso. O caso agora segue para o rito judicial, com o julgamento agendado pelo juiz Ian Jackman para o início de 2027.

Continua depois da publicidade

Argumentos e a disputa pela identidade visual

Durante a primeira audiência realizada em Sydney, o advogado da Adidas, Patrick Flynn, enfatizou que o uso das quatro listras pela White Fox não é um evento isolado, mas uma prática constante de identificação de produtos. A acusação vai além do design das peças: a empresa alemã sustenta que a White Fox utiliza estratégias de marketing que associam suas roupas a calçados originais da Adidas, criando uma falsa percepção de parceria ou endosso entre as marcas.

Para ilustrar a tese, a defesa da Adidas apresentou evidências de campanhas publicitárias nas redes sociais em que influenciadores aparecem vestindo roupas da marca australiana combinadas com calçados da Adidas. “Há uma intenção de se aproveitar da nossa reputação”, afirmou Flynn, reforçando que a empresa busca não apenas a interrupção da produção das peças contestadas, mas também a reparação financeira através da entrega dos lucros obtidos com esses itens específicos.

A defesa e o precedente de mercado

Do outro lado, a White Fox Boutique nega qualquer intenção de usurpação de marca. O advogado Ed Heerey, responsável pela defesa, argumentou que as quatro listras possuem uma função meramente estética e decorativa, sem qualquer pretensão de identificar a origem do produto. A estratégia da defesa inclui citar a presença de outras marcas de fast fashion, como Shein, Princess Polly e Glassons, que também utilizam padrões de quatro listras em suas coleções.

Heerey destacou ainda a diferença técnica entre este caso e disputas anteriores, como a vitória da Adidas contra a Pacific Brands em 2013. Segundo a defesa, enquanto o processo anterior focava em calçados — onde o uso de listras nas laterais é uma prática de mercado consolidada —, o cenário atual envolve vestuário, onde a proteção da marca seria menos abrangente. O advogado reforçou a tese de que a identidade da Adidas está intrinsecamente ligada ao número três, e não a qualquer padrão de listras.

Contexto global de proteção de marca

A proteção do design de três listras é um pilar central da estratégia da Adidas há décadas, com registros que remontam à década de 1950 na Austrália. No entanto, o caminho jurídico da empresa não tem sido isento de obstáculos. Embora tenha obtido vitórias significativas no passado, a marca também enfrentou reveses recentes em tribunais dos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, especialmente em disputas contra a grife de luxo Thom Browne.

O desfecho deste caso na Austrália é aguardado com atenção pelo mercado de moda, dado o peso das duas empresas envolvidas. Enquanto a Adidas reportou uma receita recorde de US$ 39,9 bilhões em 2025, a White Fox, fundada em 2013, consolidou-se como um fenômeno digital, registrando US$ 542 milhões em receita no ano encerrado em junho de 2025. O embate jurídico promete ser um teste sobre os limites da propriedade intelectual no design de vestuário contemporâneo.

Continue acompanhando o Play Notícias News para atualizações sobre este e outros casos que movimentam o mercado global. Nosso compromisso é levar até você informações apuradas, contextuais e relevantes sobre o cenário econômico e cultural, sempre com a seriedade que o jornalismo profissional exige.

Mais sobre este assunto