O desempenho dos ex-prefeitos nas urnas
O pleito recente em Mato Grosso revelou um cenário desafiador para gestores municipais que buscaram ascender ao Poder Legislativo estadual. Dos 15 ex-prefeitos que lançaram candidaturas a deputado estadual, apenas três conseguiram converter a experiência administrativa em vitória nas urnas: Léo Bortolin, de Primavera do Leste, que alcançou 51.040 votos; Alcino Barcelos, de Pontes e Lacerda, com 22.624; e Adelcino Lopo, de Pontal do Araguaia, com 21.146 votos.
A análise dos números mostra que a transição do Executivo municipal para a Assembleia Legislativa não é automática. Outros três nomes figuram na suplência, mantendo-se competitivos, mas sem a cadeira garantida: Ari Lafin (Sorriso), com 29.408 votos; Meraldo Sá (Acorizal), com 20.255; e Zé do Pátio (Rondonópolis), com 15.353. Os demais nove candidatos não atingiram a marca de 15 mil votos, evidenciando a dificuldade de transferir o capital político local para uma disputa estadual mais ampla.
A polarização e o recorde da Coronel Fernanda
Enquanto ex-prefeitos enfrentaram dificuldades, a deputada federal Coronel Fernanda consolidou seu nome na história política do estado. Reeleita com 205.064 votos, ela se tornou a deputada federal mais votada da história de Mato Grosso. Sua campanha, focada na regularização fundiária e na articulação entre prefeituras e produtores, permitiu que ela obtivesse votação expressiva em todos os 142 municípios mato-grossenses.
O desempenho da parlamentar reflete a força do bolsonarismo no estado, uma tendência que também marcou a disputa pelo Senado. Mauro Mendes (União) e Zé Medeiros (PL) garantiram as vagas em disputa, superando nomes como Janaina Riva (MDB) e Carlos Fávaro. O resultado consolidou uma configuração política onde a lealdade ideológica e a entrega de resultados práticos foram os principais balizadores do eleitorado.
A resistência da esquerda e o papel de Rosa Neide
Em um espectro político distinto, a professora Rosa Neide (PT) demonstrou resiliência ao garantir seu segundo mandato não consecutivo na Câmara Federal. Com 140.351 votos, a petista superou sua marca anterior em 15.654 votos. Sua votação foi capilarizada, com destaque para os três maiores colégios eleitorais do estado: Cuiabá, Várzea Grande e Rondonópolis, onde somou 52.045 votos.
A estratégia de Rosa Neide incluiu a busca por votos mesmo em redutos historicamente ligados à direita, como Sinop e Sorriso. Esse movimento, aliado a uma base fiel em todo o território estadual, reafirma a posição da deputada como uma das principais lideranças da esquerda mato-grossense, mantendo o diálogo com o presidente Lula e articulando sua presença em diversas regiões do estado.
Desafios de representatividade regional
O cenário em polos regionais como Sinop também trouxe reflexões sobre a renovação de lideranças. Dilmar Dal Bosco (União) garantiu seu quinto mandato com 56.294 votos, consolidando-se como o principal porta-voz do município na Assembleia Legislativa. Contudo, a ausência de outros nomes locais eleitos levantou debates sobre a fragmentação política e a necessidade de articulação mais robusta para garantir representatividade regional.
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