“Não vamos entregar pedaços do Estado”, diz Pivetta ao abrir disputa pela vice e aguardar decisão da convocação do União
JB News
Por Nayara Cristina
Governador revela conversas com Mauro Mendes, convencionais e Jayme Campos, mantém Janaina Riva e Fábio Garcia entre as possibilidades e afirma que futuro companheiro de chapa deverá ter viabilidade eleitoral, competência e disposição para ajudar a governar
O governador de Mato Grosso e pré-candidato à reeleição, Otaviano Pivetta (Republicanos), afirmou que não aceitará transformar a composição de sua chapa em uma negociação para distribuir secretarias e “entregar pedaços do Estado” aos partidos aliados. Em meio às articulações que antecedem as convenções partidárias, Pivetta admitiu que ainda avalia diferentes nomes para a vice, confirmou conversas com o MDB e revelou que participou, ao lado do ex-governador Mauro Mendes, de reuniões com convencionais do União Brasil.
A declaração mais contundente foi dada ao ser questionado sobre o peso que uma eventual negociação de cargos teria na definição de seu futuro companheiro ou companheira de chapa. Pivetta afirmou que existe espaço para composições políticas, mas deixou claro que qualquer indicação deverá atender a critérios técnicos e políticos.
“Se tiver que negociar cargos, que os partidos coloquem à disposição nomes que tenham capacidade técnica para tocar secretarias. Tem algumas secretarias que a gente nem fala em cargo, algumas, sim, é possível compor, mas sempre com pessoa de reconhecida e comprovada competência para assumir”, afirmou.
Segundo o governador, o comando da administração estadual não pode ser tratado como moeda de troca em uma aliança eleitoral. Pivetta ressaltou que qualquer decisão deverá considerar que o patrimônio público pertence à população mato-grossense.
“Estamos tratando com o Estado de Mato Grosso. O Estado somos todos nós, é de todo o povo mato-grossense. Eu levo isso em consideração para qualquer decisão que tome”, declarou.
Pivetta também foi direto ao estabelecer os limites das negociações para a formação da chapa. De acordo com ele, além de capacidade política, o escolhido deverá demonstrar companheirismo, equilíbrio e disposição para participar efetivamente da gestão.
“Tem que ter companheirismo, compreensão e não pode ser negociação para entregar pedaços do Estado, fatiar o Estado. Isso nós não vamos fazer”, reforçou.
Enquanto avalia a composição da chapa, Pivetta acompanha de perto a disputa interna do União Brasil, que decidirá entre lançar a candidatura do senador Jayme Campos ao Governo do Estado ou apoiar o projeto de reeleição do Republicanos. O governador revelou que participou de conversas com Mauro Mendes e convencionais da legenda.
“Participei de algumas conversas com o Mauro. Ontem, durante umas duas horas, nós conversamos com alguns convencionais, mas conversei com o senador Jayme hoje também. Estamos em paz. Vamos deixar o União Progressista tomar sua decisão e eu vou aguardar. O resultado que vier, para mim, está bom”, disse.
Mesmo sendo diretamente interessado no resultado, Pivetta procurou demonstrar tranquilidade e afirmou que respeitará a decisão tomada no voto. Ele também declarou que poderá comparecer à convenção caso seja formalmente convidado.
“Se eu for convidado, eu vou. Agora, ainda não fui. Acho que pode ter chegado algum convite, mas eu não tenho conhecimento”, declarou.
Ao ser questionado sobre a tensão provocada pela proximidade das definições eleitorais, o governador afirmou que atravessa um momento de realização pessoal e política. Pivetta disse que comandar Mato Grosso representa uma honra, mas também uma responsabilidade que exige dedicação diária.
“Estou vivendo uma fase diferente da minha vida. Ser governador de Mato Grosso não é pouca coisa. É muita honra, muita responsabilidade. Estamos trabalhando bastante, estou feliz, realizado, e os resultados que saírem da convenção nós vamos aceitar, porque a democracia é isso”, afirmou.
Para Pivetta, quando não existe possibilidade de entendimento entre os grupos políticos, a votação é o caminho legítimo para solucionar as divergências.
“Democracia, quando não tem entendimento consensual, vai para o voto. Quem tem mais voto leva. É assim que funciona. Eu vou aguardar isso e depois a gente conversa”, completou.
Além do União Brasil, Pivetta confirmou que mantém diálogo com o MDB e que já conversou com a deputada estadual Janaina Riva, presidente da legenda em Mato Grosso. O nome da parlamentar é apontado como uma das possibilidades para integrar a chapa majoritária, seja como candidata a vice-governadora ou em outra posição dentro da composição eleitoral.
O governador evitou antecipar qualquer definição, mas lembrou que o MDB esteve próximo do grupo governista ao longo dos últimos sete anos e meio, inclusive contribuindo para a sustentação política da administração na Assembleia Legislativa.
“Estou falando com o MDB, já falei com a Janaina também. Ela preside um partido importante, que é da nossa base aliada. Tivemos problemas recentes, desentendimentos pontuais, mas, ao longo dos oito anos, sete anos e meio, estivemos muito perto. O MDB nos apoiou, inclusive na Assembleia Legislativa. Então, não seria nada anormal conquistar o apoio do MDB novamente”, declarou.
Pivetta rejeitou, entretanto, a afirmação de que já teria oferecido a vaga de vice para Janaina. Segundo ele, as conversas ainda estão em andamento e nenhuma decisão será tomada antes das convenções.
“Ninguém falou sobre isso ainda. Estou aguardando as convenções. A nossa vai ser dia 4. Até lá, não vou decidir nada”, garantiu.
Outro nome colocado no tabuleiro é o do chefe da Casa Civil, Fábio Garcia. Pivetta reconheceu a importância do aliado e afirmou que sua trajetória política e administrativa torna impossível descartá-lo das discussões.
“É um nome importantíssimo. Pela história que o Fábio tem, é impossível não considerar o Fábio como uma das possibilidades”, afirmou.
Apesar de citar os nomes em avaliação, o governador disse que pretende utilizar o período até a convenção do Republicanos para refletir, ouvir aliados e analisar os cenários políticos. A escolha, conforme explicou, será discutida com todos os partidos que integrarem oficialmente a coligação.
“Tenho até dia 4 para tomar essa decisão. Estou refletindo sobre tudo, analisando as possibilidades, ouvindo amigos, pessoas próximas e confiáveis, que fazem parte da linda história que nós escrevemos nesses sete anos e meio”, declarou.
Pivetta acrescentou que somente depois das convenções será possível saber quais partidos estarão formalmente ao seu lado e, a partir dessa definição, escolher o nome que completará a chapa.
“Vamos aguardar as convenções dos partidos, ver quem vai estar aliado conosco e, no final, sentamos com os partidos aliados e definimos o nome do vice ou da vice”, explicou.
Entre os critérios que deverão pesar na escolha está a capacidade de agregar votos. O governador admitiu que a composição precisa ter viabilidade eleitoral e ajudar na ampliação do projeto político.
“Tem que ter viabilidade eleitoral, sim. A composição sempre leva em conta, de preferência, alguém que some eleitoralmente”, afirmou.
Pivetta reafirmou ainda uma preferência que já havia manifestado publicamente: ter uma mulher da Baixada Cuiabana como candidata a vice-governadora. Ele ponderou, porém, que as articulações partidárias e o cenário eleitoral poderão levar a uma configuração diferente.
“Eu nunca escondi a minha preferência por uma mulher da Baixada Cuiabana. Essa é a preferência. Nem sempre a gente consegue fazer aquilo que prefere”, reconheceu.
Independentemente de gênero ou região, o governador afirmou que não abrirá mão de escolher uma pessoa com comportamento político considerado adequado, compromisso com a administração pública e disposição para promover mudanças.
“Não vamos derivar para outro extremo que não seja alguém com as prerrogativas de um agente político decente, com vontade de promover transformações e vontade de ajudar a governar”, concluiu.
As declarações de Pivetta mostram que a montagem da chapa governista dependerá diretamente dos resultados das convenções e da dimensão do arco de alianças. Até a definição do Republicanos, o governador deverá continuar conversando com partidos, lideranças e possíveis candidatos, preservando em aberto a escolha que poderá influenciar não apenas o equilíbrio regional e eleitoral da chapa, mas também a configuração de uma eventual futura gestão.
Sobre o Autor

0 Comentários