Mauro rebate críticas de Jayme sobre desonestidade na convenção “União Brasil escolheu caminho com coerência ao apoiar Pivetta”


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JB News

Por Nayara Cristina

O governador Mauro Mendes afirmou que a convenção estadual do União Brasil, realizada nesta quinta-feira (30), encerrou um dos processos internos mais disputados da história recente da legenda em Mato Grosso, mas garantiu que toda a votação transcorreu dentro das normas partidárias. Após a vitória da tese de apoio ao projeto do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) por 30 votos a 19, além de um voto nulo, Mauro classificou o resultado como uma decisão democrática e sustentou que o partido escolheu o caminho da coerência política.

Segundo o governador, a convenção homologou os candidatos proporcionais do União Brasil para a composição da Federação União Progressista e também confirmou sua indicação como candidato ao Senado Federal. Agora, explicou, toda a documentação será encaminhada ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) e à direção da federação, que se reunirá no próximo dia 5 para concluir as definições eleitorais.

Mauro destacou que a disputa entre a candidatura própria do senador Jayme Campos e o apoio ao projeto liderado por Otaviano Pivetta ocorreu exatamente como determina o estatuto da legenda. Conforme relatou, diante da existência de duas propostas formalizadas por membros do partido, a direção foi obrigada a submetê-las ao voto secreto dos convencionais.

“O estatuto é muito claro. Havendo dois encaminhamentos, a decisão precisa ser tomada pelos convencionais em votação secreta. Foi exatamente isso que aconteceu. Fizemos a proclamação dos demais cargos da convenção, abrimos a votação, realizamos a apuração e o resultado foi proclamado pela comissão eleitoral”, afirmou.

Questionado sobre as duras críticas feitas por Jayme Campos logo após a derrota — quando o senador classificou o processo como “antidemocrático”, “desonesto” e “nada republicano” — Mauro reagiu dizendo lamentar profundamente as declarações do correligionário, mas negou qualquer irregularidade na condução da convenção.

“Eu lamento profundamente que o senador Jayme tenha dito isso, porque nada disso foi visto aqui hoje. Tudo aconteceu seguindo rigorosamente o regulamento eleitoral do partido e uma resolução validada pela direção nacional. Foi um processo transparente, no qual todos os convencionais exerceram livremente o seu direito de voto”, declarou.

Apesar do clima de forte tensão registrado durante a convenção, Mauro procurou minimizar um eventual rompimento definitivo dentro do partido. Segundo ele, é natural que quem perde uma disputa política fique ressentido, mas afirmou que o diálogo continuará aberto.

“Conversas na política são sempre saudáveis. É natural que quem perca um processo de disputa tenha algum nível de ressentimento, mas isso faz parte da democracia.”

Ao ser perguntado se teme que Jayme Campos possa apoiar outro projeto político nas eleições de 2026, Mauro respondeu que não vê motivo para preocupação e reforçou que nenhum partido controla o voto ou a posição política de seus filiados.

“Os partidos não têm poder para determinar o que cada cidadão faz. As pessoas são livres. Isso é democracia e nós vamos preservar esse valor democrático.”

O governador também evitou fazer previsões sobre o destino do eleitorado de Jayme Campos após a derrota do senador na convenção. Segundo ele, ainda é cedo para afirmar como o eleitor irá se posicionar.

“Ninguém é dono do voto do cidadão. A grande maioria da população ainda nem entrou no processo eleitoral. Quem decidirá será o eleitor, no momento certo.”

Mauro também reafirmou que sua decisão de defender o apoio a Otaviano Pivetta foi construída com base na lealdade política e administrativa desenvolvida ao longo dos últimos sete anos de governo.

“Eu mantive a coerência com a minha história. O Pivetta foi meu vice durante todo esse período, nunca atrapalhou, ajudou na condução do Estado, tem experiência administrativa e está plenamente preparado para disputar o governo. Acima de tudo, fiz aquilo que considero melhor para Mato Grosso.”

Sobre a composição da futura chapa majoritária, Mauro deixou claro que o União Brasil possui nomes competitivos, como o deputado federal Fábio Garcia e a deputada federal Gisela Simona, mas ressaltou que todas as definições serão discutidas coletivamente dentro da Federação União Progressista.

Segundo ele, a palavra final sobre a escolha do candidato a vice-governador caberá ao próprio Otaviano Pivetta, após ouvir todos os partidos aliados.

O governador ainda sinalizou que a aliança permanece aberta ao diálogo com outras forças políticas, incluindo o Podemos, presidido em Mato Grosso por Max Russi. Mauro elogiou o presidente da Assembleia Legislativa, classificando-o como uma das principais lideranças políticas do Estado e defendendo sua participação nas próximas discussões sobre a composição da coligação.

Ao encerrar a entrevista, Mauro reforçou que todas as definições futuras serão construídas de forma conjunta dentro da federação, mas afirmou que a convenção desta quinta-feira definiu de maneira clara o posicionamento do União Brasil.

“Hoje o partido fez sua escolha. Agora seguimos para a Federação União Progressista, onde concluiremos as composições, sempre respeitando a democracia, o diálogo e aquilo que entendemos ser o melhor para Mato Grosso.”

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