União Brasil aprova aliança com Pivetta por 30 a 19 e impõe derrota a Jayme Campos


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JB News

Por Emerson Teixeira

Depois de meses de enfrentamento político, acusações, reuniões reservadas e uma convenção marcada por discursos acalorados, gritos e vaias, o União Brasil decidiu apoiar a reeleição do governador Otaviano Pivetta, do Republicanos, nas eleições de 2026. A proposta de coligação foi aprovada por 30 votos a 19, durante a convenção estadual realizada nesta quinta-feira (30), no Espaço CDL, no centro de Cuiabá.

Houve ainda uma abstenção e um voto considerado inválido. O resultado representou uma vitória política do ex-governador Mauro Mendes, presidente estadual do União Brasil e principal defensor da continuidade da aliança com Pivetta. Do outro lado, o senador Jayme Campos sofreu uma dura derrota em sua tentativa de transformar o partido em protagonista da disputa pelo Palácio Paiaguás, com candidatura própria ao Governo de Mato Grosso.

A votação secreta colocou frente a frente os dois grupos que disputavam o controle do projeto eleitoral do União Brasil. Mauro defendia que a legenda permanecesse no arco de alianças construído pelo grupo governista e apoiasse Pivetta. Jayme, por sua vez, sustentava que o partido tinha estrutura, lideranças e tempo de televisão suficientes para encabeçar uma candidatura própria.

O desfecho foi anunciado somente depois de uma longa e turbulenta convenção. Durante os discursos, apoiadores dos dois projetos trocaram provocações, gritos e vaias. Em vários momentos, o clima ficou tenso no auditório, refletindo o racha interno que vinha se aprofundando nas últimas semanas entre o grupo liderado por Mauro Mendes e a ala comandada pelos irmãos Jayme e Júlio Campos.

Antes da votação, Jayme voltou a defender o direito de o União Brasil lançar um candidato pertencente aos próprios quadros. Nas semanas anteriores, o senador havia declarado que a legenda não precisava de um “candidato emprestado” e chegou a demonstrar confiança de que sua pré-candidatura seria aprovada por aclamação. Aliados do parlamentar afirmavam contar com até 35 ou 36 votos entre os convencionais. Mauro contestava publicamente esses cálculos e avisava que a disputa seria decidida “voto a voto”. (Diario de Cuiabá)

O placar final, no entanto, mostrou uma realidade diferente da projetada pelo grupo de Jayme. A proposta defendida por Mauro abriu vantagem de 11 votos e consolidou a preferência da maioria dos convencionais pela coligação com o Republicanos. Com isso, o União Brasil rejeitou, no âmbito estadual, o lançamento da candidatura própria de Jayme ao Governo.

Mauro também rebateu, durante a convenção, os questionamentos feitos sobre o pedido de coligação apresentado pelo Republicanos. O ex-governador afirmou que o documento havia sido protocolado seis dias antes do encontro e sustentou que nenhuma regra poderia ser criada de última hora para impedir ou suspender a votação.

Ao defender a continuidade dos trabalhos, Mauro afirmou que a convenção era soberana para deliberar sobre a proposta apresentada, mas ressaltou que a palavra final sobre a composição deverá observar as regras da Federação União Progressista, formada pelo União Brasil e pelo Progressistas.

A observação é importante porque União Brasil e PP passaram a atuar oficialmente como uma única agremiação partidária após o registro da Federação União Progressista pelo Tribunal Superior Eleitoral. Embora as legendas mantenham nomes, filiados e estruturas próprias, as decisões eleitorais precisam ser compatibilizadas dentro da federação. (tse.jus.br)

Em Mato Grosso, o Progressistas já havia sinalizado apoio a Pivetta. Dessa forma, o resultado da convenção do União Brasil elimina a principal divergência existente entre as duas legendas e pavimenta o caminho para que a Federação União Progressista integre oficialmente a coligação do governador.

A convenção também foi antecedida por denúncias e acusações públicas. Júlio Campos afirmou ter recebido relatos de que empresários e emissários estariam oferecendo vantagens a convencionais para impedir a candidatura de Jayme. Nenhuma prova foi apresentada publicamente, e Pivetta negou ter participado de qualquer tentativa de compra ou cooptação de votos. (gazetadigital.com.br)

A disputa provocou ainda renúncias e substituições entre delegados partidários, além de uma guerra de versões sobre a quantidade de votos controlada por cada grupo. Até poucas horas antes da convenção, aliados de Jayme demonstravam confiança na candidatura própria, enquanto o grupo de Mauro afirmava ter votos suficientes para manter a aliança governista.

Além da decisão sobre a eleição majoritária, o União Brasil aprovou por unanimidade seis nomes para integrar a chapa de candidatos à Câmara dos Deputados. Foram indicados a deputada federal Gisela Simona, a ex-primeira-dama de Mato Grosso Virginia Mendes, o deputado federal Fábio Garcia, Altemar Lopes da Silva, Ednei Blasius e Carlos Alberto da Silva Sanches Ramón.

A decisão desta quinta-feira redesenha o tabuleiro eleitoral de Mato Grosso. Pivetta passa a contar com o apoio formal da maioria do União Brasil e fortalece sua base partidária para disputar a reeleição. Mauro Mendes, por sua vez, demonstra controle sobre a maioria dos convencionais e sai fortalecido internamente para conduzir a legenda durante a campanha.

Para Jayme Campos, o resultado representa o maior revés de sua pré-candidatura até agora. O senador terá de decidir se permanece no União Brasil, se aceita outra posição dentro da chapa majoritária ou se tentará questionar o resultado nas instâncias superiores do partido e da federação.

O placar de 30 a 19 encerra a votação, mas não necessariamente pacifica o União Brasil. Depois de uma disputa tão intensa, o principal desafio da direção partidária será reconstruir a unidade interna e evitar que a divisão exposta na convenção se transforme em dissidência durante a campanha eleitoral.

A convenção que deveria apenas homologar candidaturas terminou como uma demonstração pública de força de Mauro Mendes e uma derrota política para o grupo de Jayme Campos. Depois de semanas de guerra interna, o União Brasil escolheu seu caminho: seguirá ao lado de Otaviano Pivetta na corrida pelo Governo de Mato Grosso.



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