MATO GROSSO

Justiça condena integrantes de grupo de extermínio a 71 anos de prisão por crimes em Várzea Grande

Justiça de Mato Grosso condena dupla de grupo de extermínio a 71 anos de prisão por homicídio em Várzea Grande. Veja os detalhes do caso.

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  • Em uma decisão que reforça o combate às organizações criminosas que atuam sob o pretexto de vigilância paralela, o Tribunal do Júri…
  • Claudiomar Garcia de Carvalho e Jefferson Fátimo da Silva receberam penas que, somadas, ultrapassam os 71 anos de reclusão.
  • O julgamento é um desdobramento de investigações complexas sobre a atuação de mercenários na região metropolitana de Cuiabá.
Justiça condena integrantes de grupo de extermínio a 71 anos de prisão por crimes em Várzea Grande
Vanessa Moreno / RepórterMT

Em uma decisão que reforça o combate às organizações criminosas que atuam sob o pretexto de vigilância paralela, o Tribunal do Júri de Mato Grosso condenou, na última quinta-feira (8), dois homens apontados como integrantes de um temido grupo de extermínio. Claudiomar Garcia de Carvalho e Jefferson Fátimo da Silva receberam penas que, somadas, ultrapassam os 71 anos de reclusão. O julgamento é um desdobramento de investigações complexas sobre a atuação de mercenários na região metropolitana de Cuiabá.

Os réus foram responsabilizados por um ataque violento ocorrido em 2015, que resultou na morte de um homem e em tentativas de homicídio contra outras duas pessoas. A sentença, proferida após horas de debates entre acusação e defesa, reflete a gravidade das condutas atribuídas à dupla, que operava dentro de uma estrutura organizada para realizar o que chamavam de “limpeza social”.

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Emboscada em ponto de mototáxi e a dinâmica do crime

O crime que motivou a condenação ocorreu na madrugada de 8 de outubro de 2015, no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande. Segundo os autos do processo, as vítimas Fábio José Brandão da Silva, Edivaldo Henrique Pereira Mendes e Wanderson Diego Pereira Laranja estavam reunidas em frente a um ponto de mototáxi quando foram surpreendidas por disparos de arma de fogo.

Fábio José não teve chance de defesa e morreu ainda no local. Edivaldo foi atingido pelas costas, mas conseguiu sobreviver após ser socorrido e submetido a cuidados médicos intensivos. Já Wanderson conseguiu escapar ileso ao perceber o início do ataque e fugir rapidamente da cena do crime. A brutalidade da ação e a escolha de um local público para a execução demonstraram, segundo o Ministério Público, o destemor dos executores perante a lei.

A investigação detalhou a divisão de tarefas entre os condenados. Jefferson Fátimo da Silva foi identificado como o responsável por fornecer o veículo utilizado na fuga e no deslocamento dos atiradores. Já Claudiomar Garcia de Carvalho teve papel central ao disponibilizar a pistola utilizada no atentado. Essa logística estruturada é uma marca característica de grupos que operam de forma profissionalizada no submundo do crime.

Atuação como tribunal do crime e a tese de limpeza social

Um dos pontos mais alarmantes revelados durante o processo foi a motivação por trás dos assassinatos. De acordo com o Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), a dupla integrava uma organização criminosa que funcionava como uma espécie de “tribunal do crime”. O grupo monitorava indivíduos que supostamente estariam envolvidos em atividades ilícitas na região e decidia, de forma arbitrária, quem deveria ser executado.

Essa prática, frequentemente rotulada pelos próprios criminosos como “limpeza social”, esconde uma realidade de vingança e controle territorial. Os jurados entenderam que os crimes foram cometidos por motivo torpe, uma vez que o grupo se sentia no direito de tirar vidas baseando-se em critérios próprios de justiça. Além disso, foi reconhecido o uso de recurso que dificultou a defesa das vítimas, uma qualificadora que eleva substancialmente o tempo de prisão.

A atuação de grupos de extermínio na Baixada Cuiabana tem sido alvo de operações constantes das forças de segurança. Tais organizações muitas vezes contam com a participação de indivíduos com treinamento tático, o que torna sua desarticulação um desafio para o sistema judiciário. Para saber mais sobre o rigor das leis contra crimes hediondos, acesse o portal do Ministério Público de Mato Grosso.

Decisão do Tribunal do Júri e o rigor das penas aplicadas

Ao final do julgamento, o conselho de sentença reconheceu a materialidade e a autoria dos crimes de homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado. A condição de integrantes de grupo de extermínio foi um fator determinante para o aumento das penas, conforme prevê a legislação penal brasileira para crimes praticados em atividade típica de milícia ou grupo de extermínio.

  • Claudiomar Garcia de Carvalho: Condenado a 38 anos e 6 meses de reclusão.
  • Jefferson Fátimo da Silva: Condenado a 33 anos e 3 meses de reclusão.
  • Regime inicial: Ambos deverão cumprir a pena em regime fechado.
  • Qualificadoras: Motivo torpe e recurso que dificultou a defesa das vítimas.

A sentença é vista como uma resposta necessária da sociedade várzea-grandense contra a violência desenfreada. O regime fechado foi imposto não apenas pelo montante das penas, mas também pela periculosidade demonstrada pelos réus, que participavam ativamente do planejamento e execução de mortes encomendadas ou decididas pelo grupo mercenário.

Histórico de grupos de extermínio na região metropolitana

O caso de Claudiomar e Jefferson não é isolado. Várzea Grande e Cuiabá possuem um histórico de enfrentamento a grupos que tentam substituir o Estado na aplicação da ordem. Essas organizações, muitas vezes compostas por civis e, em alguns casos, por agentes públicos desviados de suas funções, criam um clima de insegurança e medo nas comunidades periféricas.

A condenação desta semana se soma a outros julgamentos recentes que visam desmantelar essas redes de mercenários. A justiça tem buscado aplicar penas severas para desestimular a formação de novos grupos e garantir que o monopólio da força permaneça exclusivamente com as instituições oficiais de segurança pública.

O desfecho deste julgamento traz um alento às famílias das vítimas e reforça a importância da denúncia e da investigação técnica para punir crimes que, por muito tempo, ficaram impunes devido ao silenciamento imposto pelo medo. O Play Notícias News continuará acompanhando os desdobramentos de casos que impactam a segurança e a justiça em Mato Grosso, mantendo nosso compromisso com a informação precisa e o debate relevante para a sociedade.

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