Justiça decreta prisão preventiva de PM réu pela morte de Marco Aurélio
A Justiça de São Paulo decretou, na sexta-feira (31), a prisão preventiva do policial militar Bruno Carvalho do Prado, acusado de matar o estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, em novembro de 2024.
Em fevereiro deste ano, foi determinado um júri popular para Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado, cuja data ainda será definida. Ambos respondem o processo de homicídio qualificado em liberdade.
A decisão desta sexta foi assinada pela juíza Luiza Torggler Silva, da 4° Vara do Júri, e acata a um pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP), junto a uma petição enviada pelos advogados da família da vítima na terça-feira (28).
Segundo documento do MPSP, Bruno Carvalho teria se envolvido em uma nova ocorrência relacionada a crimes violentos, após a prática de suposta ameaça e lesão corporal no contexto de violência doméstica e familiar contra a própria mulher.
De acordo com o relato da vítima, divulgado na petição, Bruno a agrediu fisicamente, deixando hematomas, e proferiu ameaças de morte constantes, afirmando que “vai colocá-la no caixão”. Durante a discussão, Bruno teria se dirigido ao local onde guarda sua arma institucional, o que levou a vítima a fugir de casa descalça para pedir socorro.
A assistência ressalta que, embora ele não tenha empunhado a arma, o gesto em meio a ameaças revela alta periculosidade.
“Trata-se de fato superveniente apto a demonstrar que as medidas cautelares diversas da prisão anteriormente impostas não se mostraram suficientes para conter a reiteração de comportamentos potencialmente lesivos”, reforça o MPSP.
Diante as informações, a Justiça determinou a expedição imediata do mandado de prisão preventiva e a apreensão de armas de fogo em posse do PM. O pedido também foi encaminhado ao juízo da 1ª Vara da Violência Doméstica de Santo Amaro.
À CNN Brasil, Júlio Cesar Navarro, pai de Marco Aurélio Cardenas, disse que a ordem de prisão desta sexta, expedida 619 dias depois do assassinato do estudante, marca uma data “especial” para a família.
Relembre o caso
O estudante de medicina morreu em 20 de novembro de 2024, após ser baleado por um policial militar em um hotel na Vila Mariana, zona sul de São Paulo.
Conforme boletim de ocorrência obtido pela CNN Brasil, os policiais atenderam uma chamada no local e relataram que Marco Aurélio, conhecido como “Bilau”, estava “bastante alterado, agressivo, e resistiu à abordagem policial, entrando em vias de fato com a equipe”.
Durante o confronto, ele teria tentado pegar a arma de um dos policiais. O soldado, então, disparou contra o estudante.
Marco Aurélio foi socorrido e encaminhado ao Hospital Ipiranga, mas não resistiu aos ferimentos e morreu. Ainda segundo o boletim, todos os policiais militares portavam câmeras corporais.
O caso foi registrado como homicídio decorrente de intervenção policial. A pistola usada no disparo, uma Glock calibre.40, foi apreendida, e o local passou por perícia na época.
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