O assassinato de Gleice Kelly Oliboni continua a gerar desdobramentos cruciais no âmbito jurídico. Novas evidências, extraídas de câmeras de monitoramento da residência, estão sendo utilizadas pela acusação para contestar a tese de inimputabilidade de Daniel Frasson, conhecido como “Alemão”. O advogado Rodrigo Pozo Miranda, que atua como assistente de acusação, sustenta que o comportamento do acusado nas gravações indica plena consciência de seus atos.
Análise das imagens e indícios de planejamento
Segundo o advogado, o material audiovisual, que compreende os cinco dias anteriores ao crime, revela uma série de ações que apontam para uma conduta deliberada. Na madrugada do assassinato, por volta das 3h, o acusado teria circulado pela residência e selecionado facas na cozinha. O ponto central da argumentação reside na tentativa de Daniel em ocultar a arma branca da visão das câmeras.
“Quando ele vira, o primeiro foco que ele dá, o olho é para a câmera. Ele olha para a câmera e vem tentando esconder a faca da filmagem”, afirmou Rodrigo Pozo Miranda em entrevista ao portal O LIVRE. Para a acusação, essa preocupação em evitar o registro visual da arma contradiz a alegação de que o réu estaria em um estado de incapacidade mental ou surto que o impedisse de compreender a ilicitude do crime.
Contexto financeiro e alertas prévios
Além da dinâmica do crime, a acusação destaca a obsessão de Daniel por questões financeiras nos dias que antecederam a tragédia. Relatos apontam que o acusado discutia frequentemente sobre perdas de patrimônio, mencionando valores superiores a R$ 1 milhão. Gleice Kelly, por sua vez, tentava mediar os conflitos e oferecer suporte emocional ao marido.
Um episódio específico reforça a tese de que o crime não foi um evento súbito. Dois dias antes do homicídio, a irmã de Daniel esteve no local e, preocupada com o comportamento do acusado — que mencionou pensamentos sobre a morte —, enviou uma mensagem a Gleice aconselhando-a a esconder as facas da casa. Esse alerta, segundo o assistente de acusação, demonstra que o ambiente já estava sob tensão e que o risco era conhecido pelos familiares.
Disputa judicial sobre a motivação do crime
A defesa de Daniel Frasson busca sustentar a tese de transtorno psiquiátrico, o que poderia alterar o desfecho processual. No entanto, a família da vítima, representada por José Martinez França Neto, refuta veementemente qualquer diagnóstico de insanidade. Para os familiares, o crime foi motivado por ganância e interesse patrimonial.
Enquanto o processo segue em curso, a Justiça deve avaliar as perícias técnicas que determinarão a condição mental do réu no momento do ataque. O caso, que também envolve a tentativa de homicídio contra a filha do casal, permanece como um dos episódios de violência doméstica mais complexos da região, exigindo rigorosa análise das provas documentais e periciais.
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