A força da literatura de cordel como registro histórico
A partir desta quinta-feira (15), a Multigaleria do Centro Cultural Dragão do Mar, em Fortaleza, torna-se palco de uma imersão profunda na cultura nordestina. A exposição Vidas em Cordel chega à capital cearense com a proposta de transformar memórias e trajetórias de vida em versos e xilogravuras, unindo a tradição oral aos registros biográficos de 30 personalidades brasileiras.
A iniciativa, coordenada pelo Museu da Pessoa, utiliza a estética clássica do cordel para dar contorno a histórias de figuras fundamentais em áreas como direito, artes, ativismo social e educação. A mostra parte de uma premissa humanista: a crença de que a trajetória de qualquer indivíduo possui valor histórico e social inestimável.
Personalidades e o olhar sobre o cotidiano
Entre os nomes homenageados na mostra, destacam-se figuras que moldaram a identidade do Ceará e do Brasil. A exposição apresenta, através da poesia popular, a vida de Maria da Penha, símbolo incontornável da luta contra a violência doméstica, além do poeta Geraldo Amâncio e do mestre da fotopintura Júlio Santos. A sindicalista e educadora Ivânia Maria Alencar também integra a galeria de personalidades que tiveram suas vivências transpostas para o papel.
Para materializar essas narrativas, a exposição reuniu um time de poetas e artistas visuais de renome no gênero. Os versos ficaram a cargo de nomes como Klévisson Viana, Rouxinol do Rinaré, Julie Oliveira, Ivonete Morais, Paulo de Tarso e Manoel Inácio. Já a força visual das xilogravuras, elemento central da iconografia cordelista, foi produzida por Maercio Siqueira, Luciana Costa e Cosmo Braz.
Interatividade e memória coletiva
A experiência no Dragão do Mar vai além da contemplação visual. O público é convidado a interagir com uma cabine instalada no espaço, enquanto percorre a mostra ao som de uma curadoria musical focada na cultura popular brasileira. O caráter educativo e de difusão cultural é reforçado pela distribuição gratuita de exemplares dos cordéis expostos, permitindo que o visitante leve para casa um fragmento da obra.
O Museu da Pessoa, instituição responsável pelo projeto, atua desde 1991 como um acervo virtual colaborativo. Com mais de 20 mil histórias e 50 mil imagens catalogadas, a entidade busca democratizar o acesso à memória nacional. A exposição Vidas em Cordel permanece aberta ao público em Fortaleza até o dia 19 de dezembro, consolidando-se como um ponto de encontro entre a tradição literária e a preservação das identidades locais.
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