Na relação entre pais e filhos, exemplo é lição silenciosa e constante
Pais e filhos… uma diversidade de relações, sentimentos e emoções. E na data dos patriarcas, é comum vir à tona aquilo que o tempo não apaga: ensinamentos, gestos e exemplos.

A tecnóloga em gestão comercial, Luciana Cava, de 52 anos, perdeu o pai Ulysses, de 84, há dois anos e meio. Ela lembra de tudo isso que ela herdou.
“Meu pai era um contemplador da vida… olhar pro céu, as estrelas, ouvir o canto dos pássaros, o pôr do sol, o voo dos pássaros. E a música. Ele era apaixonado por música. Eu tenho essa memória sempre do meu pai”.
O relato carinhoso da Luciana mostra que o exemplo é uma lição silenciosa e constante, como explica a psicóloga Ana Karina Beltrão.
“Os filhos aprendem mais observado o comportamento dos pais. Então, um pai que oferece uma rosa pra sua filha, a forma como ele oferece essa rosa, a atitude, faz toda diferença. Então, é essa observação de como os pais de comportam, tem muito mais impacto do que as falas. Lembrando que as falas também impactam bastante, principalmente na forma como você fala, que também é se comportar”.
Segundo a psicologia, é a forma como o pai se coloca no mundo que molda quem observa.
“Você vai construindo, tanto personalidade, como o que é valor, para a criança, na medida em que você vai dando exemplo. Tanto nas reações que você tem, quanto de atitudes de preservar ele ou de expor a criança, em momentos em que você está presente. Um pai muito ausente, que tá o tempo todo no celular, ele também vai colocando valoração naquele filho, né? Ou, o que eu diria, uma desvalorização daquela criança”.
Mas, diante de ensinamentos ruins? O que fazer? Karina recomenda buscar outras referências.
“Uma coisa que é possível fazer é a gente olhar dentro da nossa realidade, algum adulto que você queira imitar, por exemplo, uma pessoa que foi um exemplo de amor pra você. Você pega aquela experiência daquela pessoa e tenta imitar e se inspirar naquela pessoa, ou vamos dizer, alguém que seja um exemplo de determinação e ali você vai trabalhando as suas virtudes e os seus valores e vai construindo a sua personalidade a partir de outros exemplos que cada um pode buscar”.
E o perdão? Tem algum papel nessa história?
“O perdão é o exercício máximo no amor, né? Ele não vai transformar nada em algo bom ou ruim, mas que aquela ação de perdoar, ele vai liberar dentro de você aquela dor, a mágoa ou qualquer ensinamento ruim e a pessoa daí vai poder seguir em paz, sem carregar aquilo que faz mal dentro da própria pessoa. Quando a pessoa chega na vida adulta, é tão importante que se busque, né, construir uma história que faça a vida valer a pena”.
O psicólogo Sérgio Patto é pai de três pequenos: Tierri, Anthonela e Clarinha. A história está sendo escrita.
O que o Sérgio ensina hoje é a herança que a Luciana já recebeu do pai. Ela agradece.
“Pai, eu te amo intensamente. Gratidão pela minha vida, por tudo que você ofereceu a mim, à nossa família. Um pai incrível. Eu sinto muita saudade. Tudo que me move hoje na vida, eu ainda ouço os seus conselhos. Eu te amo infinitamente. Eu sinto muita, muita saudade. Te amo”.
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