Fábio Garcia deixa vice de Pivetta e volta à disputa por vaga de deputado federal
JB News
Por Nayara Cristina
Deputado atribui decisão às restrições impostas por decisão ministerial, nega racha no grupo governista e afirma que seguirá com seu projeto político para a Câmara Federal
O deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) confirmou nesta terça-feira (11) que desistiu da candidatura a vice-governador na chapa encabeçada pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e voltará a disputar uma vaga na Câmara Federal nas eleições deste ano.
A decisão ocorre em meio às repercussões políticas da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (6), e encerra, ao menos em relação a Fábio, uma das principais indefinições que movimentavam os bastidores do grupo governista nas últimas horas.
Ao conversar com jornalistas, Fábio foi direto ao anunciar seu novo caminho eleitoral.
“Eu vou voltar a ser candidato a deputado federal. Essa é a definição”, afirmou.
Questionado sobre o que teria provocado a mudança, Fábio apontou as restrições impostas por decisão ministerial como elemento para a decisão. Durante a entrevista, jornalistas também perguntaram se a denúncia e os acontecimentos relacionados à investigação teriam pesado na escolha.
“É restrição imposta na decisão do ministro, como eu disse”, respondeu.
Fábio havia sido escolhido para ocupar a vaga de vice na chapa de Pivetta, mas o cenário político sofreu uma mudança brusca depois da deflagração da Operação Heritage. Desde então, reuniões e conversas internas passaram a ocorrer dentro do grupo governista para avaliar os efeitos políticos da investigação e os próximos passos da campanha.
Apesar da turbulência, Fábio negou que sua saída seja resultado de uma divisão interna ou de um rompimento entre integrantes do grupo. Ao ser questionado sobre a existência de uma dissensão ou “racha”, foi categórico.
“Não houve, não. Absolutamente não”, declarou.
Com a decisão, Fábio retorna ao projeto eleitoral que mantinha antes de ser escolhido para integrar a chapa majoritária. Ele voltará a buscar a reeleição para deputado federal pelo União Brasil.
Outro questionamento feito durante a entrevista foi sobre a composição da chapa proporcional do partido e uma eventual dificuldade diante da candidatura da primeira-dama. Fábio também descartou qualquer problema interno relacionado às duas candidaturas.
“Não, nunca teve. Nunca teve esse entrave”, respondeu.
A desistência da candidatura a vice também exigirá uma reorganização política de suas bases. Parte dos apoiadores de Fábio vinha sendo mobilizada para a campanha majoritária depois de sua confirmação como companheiro de chapa de Pivetta. Agora, o deputado terá de retomar a articulação voltada à Câmara Federal.
Fábio afirmou, porém, que vem recebendo manifestações de apoio e demonstrou confiança na recuperação de sua estrutura eleitoral.
“Eu tenho recebido milhares de mensagens de apoio de pessoas dizendo que estão comigo em qualquer circunstância. Nós temos serviço prestado, portanto, nós vamos continuar contando com aqueles que acreditam no nosso projeto”, disse.
Durante a entrevista, o parlamentar também demonstrou emoção ao falar sobre o momento político. Ele chegou a ser questionado por jornalistas se o sentimento estaria relacionado aos acontecimentos recentes ou à frustração de abandonar um projeto político que havia sido construído para a disputa ao lado de Pivetta.
A saída de Fábio abre agora uma nova etapa dentro da campanha governista. Com a vaga de vice novamente em discussão, caberá a Pivetta e aos partidos que integram sua base definir quem ocupará o espaço na chapa.
A decisão ocorre justamente em um momento de intensa movimentação nos bastidores do Palácio Paiaguás. Desde a Operação Heritage, lideranças governistas vêm realizando conversas para avaliar os impactos políticos da investigação e preservar a unidade do grupo durante a campanha eleitoral.
Mais cedo, o ex-ministro Neri Geller afirmou que a escolha sobre os próximos movimentos pertence a Pivetta e à coordenação política da campanha. Ao ser questionado sobre a possibilidade de o Podemos indicar um eventual substituto, Neri lembrou que o partido teve essa oportunidade anteriormente, mas não apresentou um nome.
“O Podemos tinha a possibilidade de indicar o vice lá atrás, não indicou. Agora é uma prerrogativa do Otaviano”, declarou Neri.
A confirmação da saída de Fábio resolve uma das questões que estavam em aberto, mas cria imediatamente outra: quem será o novo candidato a vice-governador de Otaviano Pivetta.
Enquanto essa definição não ocorre, Fábio Garcia deixa a disputa majoritária e volta suas atenções para a Câmara Federal, onde tentará renovar o mandato. Pivetta, por sua vez, terá agora de reorganizar sua chapa em meio ao momento mais delicado enfrentado pelo grupo governista desde o início da campanha eleitoral.
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