Pivetta reduz segurança pessoal e cobra policiais nas ruas: “Tem que estar onde o povo está”
JB News
Por Nayara Cristina
O governador Otaviano Pivetta afirmou nesta quarta-feira (12) que decidiu reduzir o efetivo policial empregado em sua segurança pessoal e defendeu que agentes hoje lotados em estruturas administrativas sejam direcionados para o policiamento nas ruas. Durante entrevista ao Jornal Notícia de Frente, Pivetta disse que pretende usar a própria estrutura de segurança como exemplo e cobrar mudanças dentro do Governo do Estado.
Segundo o governador, desde o início de sua gestão a orientação é manter apenas o efetivo considerado indispensável para sua proteção. Na avaliação de Pivetta, a prioridade da Polícia Militar deve estar no contato direto com a população e no combate à criminalidade.
“Eu determinei que mantivesse na minha segurança o mínimo de pessoas possíveis. Para mim, policial tem que estar onde o povo está, não é onde estão os governantes, onde estão os poderes estabelecidos. Tem muitos policiais no Centro Político Administrativo (CPA) que precisam ir para a base. Eu estou dando o exemplo e vou cobrar para que se faça isso”, afirmou.
A declaração indica que o governo pretende revisar a utilização de policiais em funções de segurança institucional e administrativas, especialmente no Centro Político Administrativo, em Cuiabá, onde estão concentradas diversas estruturas do Executivo e de outros poderes.
Desde abril, Pivetta também promoveu uma mudança no comando responsável por sua segurança direta, ao designar uma sargento da Polícia Militar para exercer o cargo de secretária-chefe do Gabinete Militar, estrutura responsável pela organização da segurança do governador e pelas atividades institucionais relacionadas ao cargo.
Ao falar sobre o enfrentamento à criminalidade em Mato Grosso, Pivetta afirmou que o aumento da segurança pública não deve depender exclusivamente da contratação de novos servidores. Segundo ele, é necessário ampliar a utilização de tecnologia, inteligência policial, equipamentos e ações preventivas.
Mato Grosso conta atualmente com aproximadamente 11,2 mil agentes de segurança. Para o governador, a extensão territorial do Estado e a baixa densidade populacional exigem uma estratégia que permita ampliar a capacidade de atuação das forças policiais mesmo em regiões distantes dos grandes centros.
“O território é imenso e a densidade é muito baixa. Vamos combater o crime com tecnologia, investimento em armamento, com câmeras do Vigia Mais, inteligência artificial, trabalho de prevenção nas escolas e com os esforços utilizados pela nossa polícia, e não apenas contratando pessoal”, declarou.
Pivetta citou o programa Vigia Mais MT como uma das ferramentas que deverão continuar sendo utilizadas para ampliar o monitoramento e subsidiar o trabalho das forças de segurança. A estratégia, segundo ele, passa pela integração de câmeras, inteligência e atuação ostensiva, além de ações de prevenção voltadas especialmente para crianças e adolescentes.
Durante a entrevista, o governador também abordou a violência contra as mulheres e afirmou que o Estado mantém políticas específicas para prevenção, atendimento e repressão aos crimes, especialmente diante dos casos de feminicídio.
Pivetta citou programas de qualificação profissional, habitação e atendimento especializado como parte da estratégia governamental. Segundo ele, dentro do programa habitacional que prevê a construção de 60 mil casas, 10% das unidades são destinadas a mulheres em situação de vulnerabilidade.
“Nós temos políticas públicas muito bem definidas para as mulheres. Temos qualificação, o programa de 60 mil casas, com 10% destinadas a mulheres vulneráveis, e uma Secretaria de Gabinete da Mulher, que atua transversalmente para aportar políticas públicas para os municípios. Temos também as delegacias para as mulheres na repressão. O Brasil sofre desse drama humano que é o feminicídio. Estamos no caminho para vencer”, afirmou.
O governador acrescentou que a gestão pretende ampliar o funcionamento das delegacias especializadas com atendimento durante 24 horas e destacou a atuação das Patrulhas Maria da Penha. Conforme Pivetta, atualmente 50 equipes atuam no Estado acompanhando mulheres protegidas por medidas judiciais e auxiliando na prevenção de novas agressões.
“Vamos ampliar as delegacias 24 horas. Já temos 50 Patrulhas Maria da Penha rodando. As políticas públicas para as mulheres o Estado já está implementando. Nada que nos deixe satisfeitos, mas o Estado está com foco total nisso”, declarou.
Ao defender a redução de policiais destinados à proteção de autoridades e a transferência de efetivo para atividades operacionais, Pivetta reforçou que pretende concentrar recursos humanos, tecnologia e investimentos onde considera existir maior necessidade: diretamente na proteção da população.
A sinalização do governador é de que a política de segurança pública deverá combinar presença policial nas ruas, inteligência, monitoramento eletrônico, modernização de equipamentos e prevenção, ao mesmo tempo em que estruturas internas do próprio governo poderão ter seus efetivos revistos para ampliar a força disponível nas bases e no policiamento ostensivo.
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