Pivetta alfineta gestões dos últimos 100 anos e o abandono de VG e dispara: “Zombaram de mim por enfrentar a crise da água”
JB News
Por Redação
O governador Otaviano Pivetta (Republicanos) deu o pontapé inicial em sua campanha à reeleição neste domingo (16), em Lucas do Rio Verde, com um discurso inflamado sobre os problemas urbanos enfrentados pelos municípios de Mato Grosso. Ao tratar especificamente da situação de Várzea Grande, ele criticou a sucessão de erros administrativos acumulados ao longo de um século e afirmou que as condições da cidade ainda maltratam a população.
Diante de apoiadores e lideranças políticas, Pivetta declarou conhecer todos os municípios mato-grossenses e sustentou que grande parte das cidades cresceu sem o mínimo de planejamento. Segundo ele, a falta de calçadas, ciclovias, espaços públicos e infraestrutura adequada interfere diretamente na qualidade de vida dos moradores.
“As nossas cidades são muito ruins, maltratam a nossa população. Quando tiveram algum planejamento, foi mínimo. Não têm calçadas, não têm ciclovias, não têm espaço para cuidar das pessoas”, afirmou.
O governador citou Cuiabá como exemplo de ações que considera capazes de transformar a rotina da população. Pivetta destacou a implantação de aproximadamente 120 quilômetros de ciclovias na Capital e defendeu que intervenções aparentemente simples podem produzir grandes mudanças na vida das pessoas.
“São pequenas coisas que mudam a vida da gente. São pequenas coisas que importam muito para nós”, ressaltou.
O discurso ganhou um tom mais duro quando Pivetta passou a falar sobre Várzea Grande. O governador afirmou que visita o município semanalmente e que se emociona ao observar as condições enfrentadas pela população. Para ele, a realidade atual é consequência de uma sucessão de gestores que, durante décadas, não conseguiu solucionar problemas básicos e estruturantes.
“Todas as vezes que vou a Várzea Grande eu me emociono, porque não é possível que a sucessão de gestores dos últimos 100 anos tenha deixado uma cidade tão ruim para o povo viver, que maltrata tanto aquele povo. Isso dói no meu coração, Mauro”, disparou.
Embora não tenha citado nomes durante esse trecho do discurso, a declaração de Pivetta atinge um dos grupos políticos mais tradicionais de Várzea Grande. A família Campos exerce influência direta sobre a política do município há várias décadas e teve diversos integrantes no comando da prefeitura.
Júlio Campos administrou Várzea Grande entre 1973 e 1977. Jayme Campos foi eleito prefeito três vezes, comandando o município após as eleições de 1982, 1996 e 2000. Já Lucimar Campos, esposa do senador, assumiu a prefeitura em maio de 2015, depois da cassação de Walace Guimarães, e permaneceu no cargo até dezembro de 2020. Somados, Júlio, Jayme e Lucimar ficaram diretamente à frente do Executivo municipal por aproximadamente 24 anos. A trajetória de Júlio é registrada pela Assembleia Legislativa, enquanto o Senado confirma os três mandatos de Jayme.
A influência do grupo continuou na eleição de Kalil Baracat (MDB), escolhido como sucessor de Lucimar em 2020 e eleito com o apoio político da família Campos. Kalil havia integrado a administração de Lucimar como secretário e governou Várzea Grande entre 2021 e 2024. À época, ele reconheceu publicamente o apoio político e administrativo de Jayme e da então prefeita. Kalil foi eleito pelo grupo de Lucimar Campos e permaneceu politicamente próximo do clã durante seu mandato.
A sequência histórica, porém, não significa que todos os prefeitos tenham pertencido ao mesmo grupo. Várzea Grande também foi administrada por adversários dos Campos. Ainda assim, a família manteve forte influência sobre a política municipal, seja ocupando diretamente a prefeitura, seja participando da eleição e sustentação de sucessores.
Mesmo após décadas sob o comando direto ou a influência de diferentes grupos políticos, a segunda maior cidade de Mato Grosso ainda convive com problemas de infraestrutura, saneamento básico, mobilidade urbana, limpeza pública e, principalmente, abastecimento de água. A crise hídrica tornou-se um dos símbolos do caos administrativo enfrentado pelos moradores, que convivem com interrupções constantes e dependem, em diversas regiões, de soluções emergenciais.
Pivetta afirmou que seu envolvimento com a situação de Várzea Grande, especialmente na busca por uma saída para a crise da água, não nasceu de uma estratégia eleitoral. Segundo ele, a decisão de agir partiu da indignação com as dificuldades enfrentadas diariamente pelos moradores.
“Quando falei com os amigos de Várzea Grande e com a Aliança da Água, não é brincadeira, não é pauta de campanha política. Foi o momento em que eu senti isso como governante. Eu fui tocado e fui obrigado a fazer aquilo, porque, se eu não fizesse, eu seria um covarde”, declarou.
O governador lembrou ainda que foi alvo de zombarias quando decidiu assumir compromissos para enfrentar o problema. Em resposta aos críticos, disse que continuará trabalhando para executar tudo aquilo que estiver dentro das possibilidades do Estado.
“Zombaram de mim, zombaram. Mas não é impossível atender à população. Se não for impossível, vamos fazer. Eu vou fazer. Porque tudo o que não é impossível nós podemos fazer, e mostramos isso no Governo de Mato Grosso”, afirmou.
VEJA
A crítica também ganha peso pelo atual cenário eleitoral. Jayme Campos, que até recentemente integrava o arco governista, passou a atuar na oposição a Pivetta depois de perder a disputa interna no União Brasil. Na convenção partidária realizada no final de julho, os convencionais rejeitaram a candidatura própria de Jayme ao Governo e aprovaram, por 30 votos a 19, a aliança com Pivetta. O resultado confirmou oficialmente o apoio do União Brasil à reeleição do governador.
Desde a derrota interna, Jayme rompeu politicamente com o grupo governista e passou a fazer críticas à atual administração estadual. Agora, ao responsabilizar uma sucessão de gestores pelos problemas acumulados durante 100 anos em Várzea Grande, Pivetta atinge diretamente o principal reduto eleitoral da família Campos e leva para o centro da campanha um deba
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