A Justiça determinou a penhora de uma propriedade rural avaliada em R$ 17,6 milhões pertencente ao pecuarista Claudecy Oliveira Lemes, apontado pelas autoridades como o maior desmatador do bioma pantaneiro. A medida judicial foi tomada para assegurar o pagamento de uma dívida milionária cobrada pelo Banco do Brasil, em um processo que tramita nos tribunais.
Na decisão proferida pelo Poder Judiciário, o magistrado responsável pelo caso optou por limitar a constrição a um imóvel específico que já havia sido ofertado como garantia em operações financeiras anteriores, rejeitando outros pedidos de bloqueio patrimonial solicitados pela instituição bancária.
Decisão judicial e garantia da dívida
O litígio envolve uma cobrança superior a R$ 15 milhões que se arrasta na Justiça desde o ano de 2024. Para tentar reaver os valores emprestados, o banco havia requerido restrições sobre diversos bens do produtor rural, localizados em diferentes regiões do estado mato-grossense.
No entanto, a defesa do fazendeiro argumentou que as medidas adicionais eram desproporcionais, visto que a Fazenda Bom Sucesso, situada no município de Santo Antônio de Leverger, já servia como garantia hipotecária. O imóvel possui uma extensão de quase 5,9 mil hectares e valor estimado acima do montante cobrado na ação.
Diante disso, o juiz entendeu que a propriedade é suficiente para cobrir a dívida neste momento processual, determinando a realização de uma avaliação judicial para confirmar o preço de mercado da área antes de prosseguir com novos atos de expropriação.
Operação policial e investigações no Pantanal
O proprietário da fazenda penhorada ganhou notoriedade nacional após ser alvo de investigações conduzidas pela Polícia Civil do estado, por meio da Delegacia Especializada do Meio Ambiente. A apuração foi desencadeada após denúncias sobre práticas lesivas à biodiversidade local.
As diligências policiais revelaram um esquema sofisticado de destruição da vegetação nativa por meio do lançamento aéreo de agrotóxicos, técnica frequentemente referida como desmate químico. A utilização dessas substâncias em larga escala gerou forte repercussão devido ao potencial poluidor sobre os recursos hídricos e a fauna da região alagada.
Registros oficiais apontam que o investigado detém centenas de milhares de hectares em terras na região, representando uma parcela expressiva do bioma pantaneiro em território mato-grossense. As infrações ambientais atribuídas a ele também resultaram na aplicação de sanções administrativas bilionárias por órgãos de fiscalização e proteção ambiental.
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