Técnico da Bélgica na Copa do Mundo culpa médicos por desempenho do time


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O técnico Rudi Garcia, que comandou a Bélgica na Copa do Mundo disputada no Canadá, México e Estados Unidos, afirmou que os esforços da equipe no torneio foram prejudicados pelo departamento médico da seleção belga.

Garcia não teve o contrato renovado após o Mundial e, na primeira entrevista desde então, culpou a equipe médica por contratempos que, segundo ele, levaram a uma campanha pouco convincente, mesmo com a Bélgica avançando às quartas de final e perdendo para a campeã Espanha.

“Colocamos nossa Copa do Mundo em risco por causa de certas lesões e doenças que não foram tratadas corretamente”, disse o treinador ao jornal de Bruxelas “Le Soir”, nesta segunda-feira (17).

A Bélgica começou o torneio de forma nada impressionante, com empates diante do Egito e do Iraque, antes de uma vitória por 5 a 1 sobre a Nova Zelândia, em Vancouver, que ajudou o time a liderar o grupo no saldo de gols.

Campanha na Copa e o caso Jeremy Doku

Na sequência, a Bélgica precisou buscar a virada contra o Senegal para avançar às oitavas de final, fase em que fez o que Garcia considera o melhor jogo do time no torneio, diante dos Estados Unidos.

Ponta do Manchester City, Jeremy Doku era esperado como peça-chave da campanha belga, mas lutou contra um quadro de doença e acabou parando na emergência durante a Copa, com líquido nos pulmões.

“Uma semana antes, a meu pedido insistente, conseguimos marcar uma consulta para um exame de imagem”, relatou Garcia sobre o caso do jogador, hoje um dos principais nomes do elenco do Manchester City na Premier League.

“O médico não achou que o exame fosse necessário porque já tinha dado antibióticos ao Jeremy. Ele se sentiu melhor e, no fim, também não quis ir sozinho. Mas seis dias depois, passou a noite na emergência”, completou o treinador.

Outras lesões e reação da federação belga

Garcia também citou as lesões do capitão Youri Tielemans, de Charles De Ketelaere e de Zeno Debast ao longo da competição como fatores que pesaram contra o desempenho da seleção belga no torneio. Não houve reação imediata da federação de futebol da Bélgica sobre as declarações do ex-treinador.

Apesar dos contratempos, Garcia avalia que fez um bom trabalho no cargo e reforçou repetidas vezes, ao longo da entrevista, que deixou a seleção sem ressentimentos em relação à federação ou aos jogadores que comandou.

“Vim para uma missão. Peguei a Bélgica sob minha responsabilidade porque uma Copa do Mundo se aproximava com Kevin De Bruyne, Thibaut Courtois e Romelu Lukaku”, afirmou o treinador, citando três das maiores lendas do futebol belga recente.

“Achei que esses três lendários jogadores ainda poderiam carregar a Bélgica e que poderíamos guiá-los o mais longe possível juntos. Minha missão terminou quando a Copa do Mundo terminou. Vivemos coisas muito bonitas juntos.”

Bastidores da saída e chegada de Van Bommel

Garcia disse que, caso lhe tivesse sido oferecida a renovação de contrato, talvez tivesse permanecido no cargo à frente da seleção belga, mesmo reconhecendo as dificuldades enfrentadas ao longo de sua passagem pelo comando técnico.

“Acho que teria gostado de ficar, mas isso também teria sido uma escolha pelo conforto da minha parte”, acrescentou. “Eu conhecia o elenco, tínhamos trabalhado juntos por 18 meses, e me apeguei aos jogadores e ao país.”

“Não acho imodéstia dizer que recolocamos a Bélgica no mapa do futebol mundial. Então minha missão foi cumprida. E depois é bom seguir para outra coisa. Saí sem amargura. Hoje estou muito tranquilo e satisfeito com o que fiz”, concluiu Garcia na entrevista ao jornal belga.

Após o Mundial, a Bélgica agiu rapidamente e anunciou a contratação do ex-jogador da seleção holandesa Mark van Bommel como o novo técnico da equipe, dando sequência a um novo ciclo da seleção belga rumo às próximas competições internacionais.

 



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