UFC Casa Branca: por que não há mulheres no card?
A missão do UFC é atrair não apenas os fãs habituais, mas principalmente o espectador casual. Aquele que talvez nunca acompanhe um Fight Night, mas que vai assistir ao show simplesmente porque ele acontecerá na Casa Branca. E é justamente nesse ponto que o MMA feminino enfrenta um problema.
Nos últimos anos, a modalidade vive uma fase de menor impacto comercial. Boa parte das campeãs atuais não conseguiu atingir o mesmo nível de popularidade construído por nomes como Ronda Rousey, Amanda Nunes ou Cris Cyborg em seus melhores momentos.
Isso não significa falta de qualidade técnica. Em muitos casos, o nível técnico do MMA feminino nunca foi tão alto. O problema é a conexão com o grande público. O esporte continua sendo consumido majoritariamente por homens. Além disso, o número de categorias femininas é menor, a base de praticantes também é reduzida e, consequentemente, há menos estrelas disponíveis para romper a bolha e atingir o mercado de massa.
Existe ainda outro fator que os fãs, muitas vezes de maneira injusta, utilizam como régua principal de entretenimento: os nocautes. Historicamente, o MMA feminino apresenta índices menores de nocautes quando comparado ao masculino. A explicação é simples. Mulheres, em média, competem em categorias mais leves e possuem níveis muito inferiores de testosterona, hormônio diretamente ligado ao desenvolvimento de força e potência muscular.
Esperar exatamente o mesmo impacto nos golpes seria ignorar diferenças biológicas evidentes. Mas o fã casual raramente faz essa análise. Para boa parte do público, o nocaute continua sendo o principal cartão de visitas do esporte. É o momento que viraliza nas redes sociais, aparece nos programas de televisão e transforma atletas em celebridades da noite para o dia.
Naturalmente, quando o UFC monta um card pensado para impressionar milhões de espectadores ocasionais, a tendência é priorizar lutas que historicamente oferecem maiores chances de explosão, violência esportiva e momentos memoráveis. Há, claro, exceções.
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