Lideranças indígenas destacam iniciativa inédita de Max e avanço de espaço permanente na ALMT
JB News
Por Nayara Cristina
Representantes de quatro povos reconhecem criação da primeira Câmara Setorial Temática da Saúde Indígena do Brasil; nova estrutura amplia debate para autonomia, renda, empreendedorismo e etnoturismo
Lideranças de diferentes povos originários de Mato Grosso destacaram a atuação do presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), deputado Max Russi (Podemos), na abertura de novos espaços de participação indígena dentro do Parlamento estadual. O reconhecimento ocorreu durante reunião realizada nesta terça-feira (25), na sala do Colégio de Líderes da Casa de Leis.
O encontro reuniu representantes dos povos Boe Bororo, Balatiponé, Haliti-Paresi e Nambikwara, que ressaltaram principalmente a criação da Câmara Setorial Temática (CST) da Saúde Indígena. Instalada em 2025 por iniciativa de Max Russi, a estrutura foi a primeira deste modelo voltada especificamente à saúde dos povos indígenas criada no Brasil.

A Câmara encerrou seus trabalhos em julho deste ano, após completar o período regimental de um ano, mas a experiência abriu espaço para uma nova fase dentro da Assembleia. A proposta agora é ampliar o alcance das discussões por meio da CST Indígena, também apresentada por Max, colocando na pauta temas que ultrapassam a assistência à saúde e envolvem diretamente o futuro das comunidades.
Entre os assuntos que passam a integrar os debates estão autonomia dos povos originários, geração de renda, empreendedorismo, fortalecimento de atividades produtivas, agricultura indígena e etnoturismo.
Também participaram da reunião a presidente da CST Indígena, Paloma Velozo, e a diretora do Núcleo de Gestão Institucional e Assuntos Internacionais da Assembleia, Taís Costa.
O cacique da Aldeia Galdino Pimentel, do povo Boe Bororo, Marcelo Manobaro, classificou como histórica a aproximação construída entre as comunidades e o Legislativo estadual. Segundo ele, algumas lideranças tiveram, a partir da CST, a primeira oportunidade de entrar na Assembleia e apresentar diretamente suas necessidades.
“É a primeira vez que um presidente da Assembleia recebe a nossa etnia. Alguns de nós estão pela primeira vez aqui na Assembleia. Tudo isso começou também a partir do projeto do deputado Max, que foi a CST. Poucas pessoas acreditaram, mas nós fomos uma das etnias que abraçaram essa causa”, declarou.
Para Manobaro, a experiência mostrou que a criação de um canal institucional facilitou significativamente o contato dos caciques com o Poder Legislativo e tornou mais acessível a apresentação de reivindicações vindas das diferentes regiões do Estado.
“Vimos que, por meio da criação da CST, ficou mais fácil para os caciques de todas as regiões levarem suas demandas e prioridades. É uma coisa que não tem preço e nós só temos a agradecer”, completou.
A presidente da Associação das Mulheres Boe Bororo, Gilmira Manoreru, também ressaltou o vínculo construído com o presidente da Assembleia e afirmou perceber conhecimento e comprometimento do parlamentar em relação à realidade vivenciada pelas comunidades.
“Fico muito feliz em ouvir o deputado, porque vejo que ele realmente conhece a nossa realidade e está comprometido com a gente”, afirmou.
Durante a reunião, o cacique-geral Ronildo, também representante do povo Boe Bororo, apresentou uma série de demandas existentes nas aldeias e defendeu que os mecanismos de participação indígena dentro da Assembleia sejam mantidos e fortalecidos.
Na mesma linha, Marcio Monzilar, diretor da escola indígena do povo Balatiponé, ressaltou a importância de utilizar a nova Câmara Setorial para ampliar as discussões envolvendo agricultura indígena e a criação de novas oportunidades para as comunidades.
As manifestações foram reforçadas por José Nambiquara Txyalikisu, representante dos povos Nambikwara e relator da CST Indígena. Ele destacou que, apesar da longa história do Legislativo estadual, os povos indígenas ainda não haviam consolidado uma referência permanente dentro da instituição.
“Em todos esses anos de existência da Assembleia, o povo indígena não teve uma referência aqui dentro. Que possamos avançar nesses instrumentos para garantir o acesso do nosso povo”, disse.
Além das reivindicações diretamente ligadas às políticas públicas, a reunião também avançou na discussão sobre mecanismos capazes de aumentar a autonomia econômica das comunidades indígenas.
O líder e representante do etnoturismo dos povos Haliti-Paresi, Adylson Muzuywane, chamou a atenção para o potencial da atividade como ferramenta de geração de renda, preservação ambiental e valorização cultural.

Segundo ele, o desenvolvimento do etnoturismo pode produzir resultados não apenas para as aldeias, mas também para os municípios onde as comunidades estão localizadas e para Mato Grosso como um todo.
“O etnoturismo, além da oportunidade financeira, também ensina a preservar. Temos muito a ganhar com essa questão. E não são apenas os indígenas que se beneficiam, mas também os municípios e o Estado”, explicou.
Adylson considera que a nova CST pode ajudar a transformar experiências e potencialidades já existentes nas comunidades em políticas públicas estruturadas, além de aproximar os povos originários de oportunidades que atualmente ainda são pouco acessíveis.
“É importante que os parlamentares entendam nossas demandas para que sejam construídas soluções satisfatórias para as nossas comunidades”, acrescentou.
Ao receber as lideranças, Max Russi agradeceu a confiança dos representantes indígenas e afirmou que a intenção da Assembleia é ampliar ainda mais a presença dos povos originários nas discussões envolvendo políticas públicas em Mato Grosso.
“Quero agradecer a confiança e a oportunidade. A vinda de vocês é muito importante para mim. Eu sempre digo que todas as grandes questões de Mato Grosso, em algum momento, passam pelo Parlamento. Por isso, trouxemos esse debate para dentro da Assembleia. Agora, precisamos ampliar esse trabalho, e ampliar bastante”, afirmou.
A presidente da CST Indígena, Paloma Velozo, avaliou que o trabalho realizado no último ano criou uma relação mais próxima entre o Legislativo estadual e as comunidades indígenas.
Segundo ela, a nova Câmara dará continuidade ao processo, mas com um campo de atuação maior, permitindo que os debates avancem sobre questões estruturais para o futuro dos povos originários.
A expectativa é que a CST Indígena fortaleça o protagonismo das próprias comunidades na formulação de soluções, amplie a autonomia dos povos e contribua para a construção de alternativas que garantam maior independência econômica, sem deixar de lado a preservação da cultura, das tradições e dos territórios indígenas de Mato Grosso.
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