O mercado de opções de ações e índices brasileiros negociados no exterior voltou a ganhar força nas últimas semanas, impulsionado pela especulação dos investidores em torno de um cenário eleitoral cada vez mais indefinido. Os participantes do mercado apostam tanto em um novo salto da Bolsa na segunda-feira, após o resultado do segundo turno no domingo (25), quanto na possibilidade de uma forte correção nos ativos locais.
As pesquisas mais recentes revelam uma disputa acirrada entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento da Datafolha divulgado na quinta-feira (22) apontou o senador com 47% dos votos totais, frente a 46% do atual presidente, enquanto no cenário de votos válidos ambos aparecem tecnicamente empatados com 50%.
Aumento expressivo nos contratos de opções
O volume total de contratos de opções em aberto do EWZ atingiu 12,2 milhões na quarta-feira (21), avançando consideravelmente em relação aos 9,5 milhões registrados em 2 de outubro, data que antecedeu o primeiro turno da eleição. O EWZ funciona como um fundo negociado na Bolsa de Nova York que reproduz o índice MSCI Brasil, concentrando as principais ações negociadas na B3.
Desse montante total, a maior fatia, correspondente a 8,7 milhões de contratos, é composta por opções de compra, conhecidas como calls, que projetam uma valorização do índice. Por outro lado, as opções de venda, ou puts, somam 3,5 milhões de contratos e refletem a especulação voltada para a queda do indicador financeiro.
O avanço dos contratos em aberto no EWZ evidencia uma participação robusta do capital estrangeiro no trade eleitoral brasileiro, conforme aponta Marcos Praça, diretor de Análises da ZERO Markets. O especialista destaca que a maior concentração de negócios permanece nas opções de compra com vencimentos programados entre 6 e 20 de novembro, atraindo atenções para preços de exercício situados entre US$ 44 e US$ 51, sendo que o ETF encerrou a sessão de quinta-feira cotado próximo a US$ 41,80.
Busca por proteção e cautela no mercado
Embora as opções de compra liderem o volume, as opções de venda registraram um crescimento proporcionalmente superior, elevando a relação entre os dois tipos de contratos de 31% em 2 de outubro para 41% no período atual. O movimento traduz um comportamento mais cauteloso dos investidores diante do risco de a vitória de Flávio e a respectiva transição de governo não se concretizarem.
Para Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial, o cenário fundamental ainda mantém a preferência por uma vitória do candidato da oposição, mas uma eventual reviravolta eleitoral traria impactos severos aos mercados. Nesse contexto, a procura por seguros por meio de opções de venda reflete o receio de que a Bolsa e o câmbio devolvam rapidamente os ganhos obtidos após o primeiro turno.
Como alternativa para navegar pela volatilidade, grande parte dos fundos multimercados recorre a operações estruturadas que combinam diferentes tipos de contratos. De acordo com Luciano Sousa, analista CNPI-T e operador de opções, essas estratégias buscam capturar o potencial de alta sem deixar de lado a proteção contra surpresas desfavoráveis no cenário político nacional.
Impacto nos prêmios e volatilidade dos ativos
A corrida por proteção gerou reflexos diretos nos custos dos derivativos, elevando significativamente os prêmios das opções e a volatilidade implícita do mercado. Gestores de recursos alertam que a disparada na volatilidade de determinados ativos, com saltos expressivos em papéis de menor capitalização, exige cautela redobrada dos investidores para evitar perdas financeiras na liquidação das posições.
Paralelamente, dados consolidados pela B3 e compilados pela Broadcast apontam que a demanda por proteção por meio de puts subiu mais de 90% entre o primeiro pregão posterior ao primeiro turno e o dia 20 de outubro. Com um ambiente político marcadamente binário, os desdobramentos da votação continuam ditando o ritmo e as estratégias dos principais players do mercado financeiro.
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