A colheita de trigo no Rio Grande do Sul alcançou 19% da área semeada, impulsionada por um período de tempo mais seco registrado entre os dias 16 e 18 de outubro. Enquanto a cultura se aproxima do encerramento do seu ciclo produtivo, com a maioria das lavouras distribuída entre as fases de enchimento de grãos e maturação, os produtores rurais lidam com os reflexos diretos de adversidades climáticas enfrentadas ao longo dos últimos meses.
O cenário atual exige atenção redobrada no campo, uma vez que o excesso de umidade e a baixa incidência de radiação solar em momentos cruciais do desenvolvimento impactaram o potencial das plantações. O portal Mais Soja detalha como essas condições moldam a atual temporada agrícola gaúcha.
Impacto do clima na qualidade e na produtividade dos grãos
Nas áreas onde os trabalhos de colheita já foram iniciados, o panorama é de dualidade. Embora alguns locais registrem produtividades consideradas satisfatórias, a qualidade dos grãos tem ficado abaixo das expectativas iniciais. Produtores notam reduções expressivas no Peso Hectolitro, além da presença marcante de grãos avariados e chochos.
As condições meteorológicas adversas também elevaram a pressão exercida por doenças fúngicas, com destaque para ocorrências de giberela e brusone nas lavouras. Temporais registrados em semanas anteriores somaram-se aos problemas, provocando danos localizados e acelerando perdas em plantações que já se encontravam próximas do ponto de colheita.
Panorama estadual da área cultivada e projeções de safra
Levantamentos divulgados pela Emater/RS-Ascar indicam que a área destinada ao cultivo do cereal no estado totaliza 763.121 hectares. O número representa uma retração de 34,56% em comparação com os 1.166.163 hectares cultivados no ano anterior, conforme dados do IBGE. Em contrapartida, a produtividade projetada aponta para 2.833 kg/ha, número 4,88% superior ao estimado no plantio, mas ainda inferior à safra passada.
A estimativa oficial de produção para o período está calculada em 2.161.922 toneladas. O volume total representa uma queda expressiva de 37,48% em relação às 3.458.083 toneladas colhidas ao longo de 2025, refletindo diretamente a diminuição da área plantada e os impactos diretos do clima sobre o desenvolvimento das plantas.
Diferenciação regional e andamento dos trabalhos no campo
O ritmo das atividades agrícolas varia consideravelmente entre as diferentes regiões administrativas do estado. Na Fronteira Oeste, os trabalhos avançam lentamente devido à persistência de chuvas e à alta umidade na massa de grãos, exigindo medidas como a dessecação em municípios como Manoel Viana para tentar uniformizar a maturação.
Nos Campos de Cima da Serra, lavouras em floração enfrentam dificuldades para a aplicação de tratamentos preventivos contra doenças devido à saturação do solo. Enquanto isso, em zonas como a de Frederico Westphalen e partes da Região Celeiro, fatias significativas da colheita já foram finalizadas, revelando produtividades heterogêneas e oscilações nos padrões de peso e qualidade dos lotes comercializados.
Mercado e comercialização da saca de cereal
No setor comercial, o preço médio da saca de 60 quilos apresentou leve oscilação negativa de 0,63% nos registros semanais da Emater/RS-Ascar, passando a ser cotada a R$ 73,69 para o padrão de Peso Hectolitro 78. Em praças específicas, como na Bolsa de Cereais de Cruz Alta, o produto disponível mantém cotação em patamares superiores, refletindo a dinâmica regional de oferta e demanda pelo cereal colhido.
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