O cenário político recente em Mato Grosso apresentou transformações significativas na representação estadual e federal. A apuração dos votos consolidou a liderança de parlamentares com forte atuação regional na Assembleia Legislativa, ao mesmo tempo em que registrou o recuo expressivo de nomes tradicionais que buscavam vagas na Câmara dos Deputados e no Poder Executivo Federal.
Entre articulações no Palácio do Planalto e a reorganização de forças nos municípios mato-grossenses, o eleitorado deu sinais claros sobre a renovação de mandatos e a transferência de prestígio político. O desempenho de lideranças experientes e a ascensão de novos quadros desenham a nova geopolítica do estado.
Max Russi e Lúdio Cabral lideram votação para a Assembleia Legislativa
Na disputa pelos assentos estaduais, o deputado Max Russi (Podemos) alcançou o topo da preferência do eleitorado, somando 86.934 votos e garantindo seu terceiro mandato consecutivo. O parlamentar obteve votação em todos os 142 municípios de Mato Grosso, registrando mais de mil votos em 17 cidades. Em Cuiabá, recebeu 14.981 sufrágios, enquanto em Jaciara alcançou 7.179 votos, cidade onde já foi prefeito e cuja gestão municipal é conduzida por sua esposa, Andreia Wagner.
A trajetória de Russi mostra uma curva ascendente nas últimas três disputas estaduais, passando de 35.042 votos em 2018 para 70.328 em 2022, até atingir a maior votação do pleito atual. Além da Baixada Cuiabana, o presidente da Casa de Leis registrou votações expressivas em municípios como Várzea Grande, Juscimeira, Nossa Senhora do Livramento e Barra do Garças.
Logo em seguida, o médico e deputado estadual Lúdio Cabral (PT) obteve a segunda maior votação para a Assembleia, acumulando 86.107 votos. O parlamentar petista registrou votos em 141 dos 142 municípios, ficando sem votação apenas em Serra Nova Dourada. A capital Cuiabá concentrou metade de sua votação total, com 43.586 votos, seguida por Várzea Grande, com 12.148.
Mesmo com atuação alinhada à esquerda, Lúdio registrou votações expressivas em polos do agronegócio conhecidos pelo eleitorado maioritariamente conservador, como Sorriso (2.406 votos), Lucas do Rio Verde (1.070) e Tangará da Serra (1.578), além de desempenhos consolidados em Rondonópolis e Cáceres.
Carlos Fávaro articula permanência na esfera federal após disputa ao Senado
No âmbito federal, as eleições também movimentaram o alto escalão das articulações políticas. Após o resultado desfavorável na disputa ao Senado, o senador Carlos Fávaro (PSD) mantém movimentações nos bastidores na expectativa de retornar ao comando do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Durante a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fávaro esteve à frente da pasta por três anos e três meses.
Mesmo em um estado onde Flávio Bolsonaro obteve vantagem expressiva no primeiro turno, o parlamentar manteve a atuação alinhada à base governista federal. Sem mandato renovado no Senado, a aposta do líder político baseia-se na manutenção da aliança com o Palácio do Planalto para prosseguir na condução das diretrizes agrícolas do país.
Derrocada de veteranos marca o resultado das eleições para a Câmara Federal
Em contraste com as votações recordes no âmbito estadual, figuras tradicionais da política mato-grossense enfrentaram reduções drásticas em suas bases eleitorais. O ex-deputado federal Valtenir Pereira (PSD) registrou seu menor patamar histórico ao obter 12.287 votos. Integrante de uma chapa que projetava eleger até dois representantes federais, Valtenir ficou atrás de nomes como Irajá Lacerda, Emanuelzinho e Flavinha Rodrigues.
Defensor público de carreira, Valtenir acumula um histórico de votações expressivas no passado, tendo ultrapassado 101 mil votos em 2010. Contudo, os dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral confirmam uma trajetória decrescente registrada nas urnas ao longo dos últimos pleitos.
Situação semelhante foi vivida pelo pastor Victório Galli (PP), ex-aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Candidato à Câmara dos Deputados, Galli somou 12.454 votos pela federação PP/União Brasil. O resultado representou o ponto mais baixo de suas seis candidaturas a deputado federal, registrando queda contínua em relação aos 64.691 votos obtidos em 2014, quando conquistou a vaga parlamentar.
Coronel César Roveri garante vaga na bancada federal com base na baixada cuiabana
Entre os nomes eleitos para compor a bancada de Mato Grosso na Câmara Federal, o ex-secretário estadual de Segurança Pública, Coronel PM César Roveri (Podemos), conquistou a última das oito vagas em sua primeira disputa eletiva. Ao todo, Roveri somou 47.195 votos no estado.
O resultado do militar foi impulsionado principalmente pela votação obtida em grandes centros urbanos da Baixada Cuiabana e do norte do estado. Cuiabá garantiu 10.093 votos, Várzea Grande somou 5.455 e Sinop contribuiu com 2.260 sufrágios. Embora tenha recebido votos na totalidade dos municípios mato-grossenses, o deputado eleito superou a marca de mil votos em apenas nove cidades, incluindo Cáceres, Poconé, São José dos Quatro Marcos e Tangará da Serra.
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