O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro apresentaram propostas para renegociar dívidas, ampliar investimentos em saúde, melhorar a segurança pública e fortalecer programas sociais no último debate presidencial antes do segundo turno das eleições de 2026. O encontro foi realizado nesta sexta-feira (23), pela TV Globo, a dois dias da votação definitiva nas urnas.
O confronto político começou com discussões acaloradas sobre infraestrutura e desenvolvimento regional, passou por temas fundamentais como salário mínimo, educação e o crescente endividamento das famílias brasileiras. O encerramento da sabatina foi marcado por uma série de acusações mútuas sobre corrupção, histórico político e gestão patrimonial.
Lula concentrou suas principais intervenções na defesa dos programas implementados ao longo de sua trajetória governamental, prometendo ampliar iniciativas de transferência de renda, educação e facilitação de crédito. Em contrapartida, Flávio apresentou compromissos voltados à redução de impostos, renegociação ampla de dívidas, endurecimento das penas criminais e maior abertura para a participação da iniciativa privada em projetos de infraestrutura.
Apesar do tom de forte oposição, os candidatos demonstraram convergência em pontos específicos da pauta nacional. Ambos defenderam reajustes do salário mínimo e das aposentadorias acima da inflação oficial, além de concordarem com a viabilidade de propostas como a oferta de transporte público gratuito durante os fins de semana para a população urbana.
Renegociação de dívidas e economia
O endividamento crônico dos cidadãos figurou entre os tópicos mais explorados no bloco econômico. Lula defendeu a implementação de uma nova etapa do programa Desenrola, argumentando que o governo federal pretende realizar leilões para adquirir débitos bancários diretamente com descontos expressivos que, segundo sua equipe, podem alcançar até 95% do valor original.
O chefe do Executivo ressaltou que a medida tem potencial para movimentar bilhões de reais na economia, destacando também ações voltadas ao perdão de dívidas para microempreendedores individuais. No polo oposto, Flávio Bolsonaro propôs transformar a Caixa Econômica Federal em um vetor de crédito batizado de Banco da Prosperidade.
A estratégia do senador prevê a aquisição de passivos financeiros de pessoas físicas e jurídicas para viabilizar um refinanciamento em condições mais brandas. Adicionalmente, o parlamentar sugeriu a suspensão temporária de pagamentos por prazos determinados para aliviar o orçamento das famílias e recuperar rapidamente o poder de compra no varejo.
Segurança pública e propostas penais
O debate sobre o combate à criminalidade evidenciou visões profundamente distintas sobre a ordem pública. Flávio reafirmou a diretriz de enquadrar grandes organizações criminosas e facções urbanas sob a tipificação jurídica de grupos narcoterroristas, endurecendo o tratamento legal dado a esses coletivos.
O candidato também defendeu a redução da maioridade penal para 16 anos, com possibilidade de rebaixamento para 14 anos em situações específicas, como crimes de estupro. As propostas incluiram ainda a defesa de penas mais severas para delitos patrimoniais e a adoção de medidas extremas para condenados por crimes de natureza sexual.
Por sua vez, Lula voltou a defender a aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso Nacional e a criação de uma pasta ministerial dedicada exclusivamente ao setor. O presidente destacou a necessidade de fortalecer as estruturas da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal, apostando em maior cooperação federativa no combate ao crime organizado.
Saúde e sustentabilidade do sistema único
O financiamento e os rumos do Sistema Único de Saúde geraram forte embate entre os postulantes ao Palácio do Planalto. Lula questionou os planos do adversário para a rede pública, enquanto Flávio descartou intenções de privatização e prometeu manter os repasses federais com foco em reformas gerenciais.
O senador detalhou planos para atualizar a tabela de remuneração de procedimentos médicos, ampliar a capacidade operacional do Instituto Nacional de Câncer e viabilizar o refinanciamento de dívidas acumuladas pelas Santas Casas de misericórdia. O atual presidente, em defesa de seu legado, enfatizou o papel estrutural do SUS durante crises sanitárias recentes e criticou cortes orçamentários passados.
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