A renda fixa pode registrar perdas em determinadas situações, mesmo quando o investidor conhece previamente as condições de remuneração do título. Essa dinâmica ocorre porque os preços dos papéis podem oscilar conforme as condições de mercado, especialmente diante de mudanças nas taxas de juros.
O tema foi discutido por Mayara Rodrigues, analista de Credit Research de Renda Fixa da XP, durante o Conexão Investidor 2026, evento realizado em São Paulo. Promovido pela Faz Capital, escritório de assessoria de investimentos credenciado à XP, o evento reúne especialistas para debater economia, investimentos e planejamento patrimonial.
O que é fixo na renda fixa
Segundo Mayara, uma das principais dúvidas dos investidores está na diferença entre a remuneração contratada e o valor pelo qual um título pode ser negociado antes do vencimento. A especialista explicou que o elemento fixo é a taxa de retorno contratada, e não necessariamente o preço do ativo no mercado secundário.
Essa oscilação, conhecida como marcação a mercado, pode provocar perdas ou ganhos para quem decide vender um título antes do prazo final. No entanto, uma queda temporária no preço de mercado não representa uma perda definitiva para quem mantém o investimento até o vencimento, desde que o emissor honre os compromissos assumidos.
Além da variação de preços, Mayara abordou o risco de crédito, que envolve a possibilidade de o emissor não cumprir suas obrigações financeiras. Esse fator está presente em debêntures emitidas por empresas, que não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos. Outro ponto relevante é a liquidez, já que a venda antecipada em condições desfavoráveis pode resultar em valores inferiores aos esperados.
Atratividade da renda fixa com juros elevados
Mesmo com a perspectiva de redução dos juros ao longo do tempo, a avaliação é de que a renda fixa continuará oferecendo oportunidades sólidas. A XP projeta uma taxa Selic de 11,5% ao final de 2027, um patamar considerado elevado pelo mercado financeiro.
Para investidores iniciantes de perfil conservador, a recomendação em determinados cenários pode incluir uma alocação expressiva em renda fixa. Os especialistas destacam a importância de diversificar os investimentos entre diferentes indexadores e prazos de vencimento para mitigar riscos e otimizar os ganhos.
A rentabilidade da poupança também foi comparada com alternativas de renda fixa durante o evento. Uma aplicação de R$ 10 mil na caderneta poderia render menos no primeiro ano do que opções como o Tesouro Selic ou um CDB que pague 100% do CDI, considerando o impacto do Imposto de Renda.
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