O custo de vida na capital mato-grossense voltou a registrar pressão sobre o orçamento das famílias. A cesta básica em Cuiabá subiu pela quarta semana consecutiva, alcançando o preço médio de R$ 937,20 após um acréscimo de 0,25% na terceira semana de outubro. O cenário reflete uma série de desafios logísticos e climáticos que afetam diretamente a cadeia de abastecimento de alimentos na região.
De acordo com análises do setor produtivo e econômico, fatores como dificuldades no transporte, riscos de armazenamento e o escoamento complexo dos produtos ajudam a explicar a escalada contínua dos valores. Essa sequência de reajustes pressiona o poder de compra da população local, exigindo adaptações no planejamento financeiro doméstico e mudanças nos hábitos de consumo cotidiano.
Impacto no orçamento e variação anual
A alta acumulada ao longo dos meses evidencia um encarecimento expressivo no comparativo anual. O valor atual da cesta básica na cidade está 18,82% acima dos R$ 788,74 registrados no mesmo período de 2025.
Especialistas econômicos apontam que a persistência desses patamares elevados obriga os consumidores a substituírem marcas, reduzirem quantidades adquiridas ou reorganizarem as compras mensais. Essa mudança de comportamento também gera reflexos diretos sobre o movimento do comércio varejista de alimentos, que precisa lidar com a retração em determinados setores.
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Quedas pontuais e o comportamento dos hortifrúti
Apesar da alta generalizada do conjunto de produtos, o Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) constatou que cinco dos 13 itens que compõem a cesta básica registraram redução de preço no período. Contudo, essas quedas pontuais não foram suficientes para abater o custo total.
A banana, por exemplo, apresentou queda expressiva de 9,19%, com preço médio de R$ 8,33 o quilo. Especialistas avaliam que a alta umidade e o grande volume de chuvas podem ter acelerado ou atrasado processos de maturação, gerando acúmulo temporário de estoques.
A batata também recuou 8,23%, alcançando R$ 7,80 o quilo. Mesmo com a baixa semanal, o tubérculo acumula alta impressionante de 79,64% em relação a 2025, impulsionado por variações climáticas que afetaram a qualidade visual e a atratividade do produto para o consumidor.
Pressão exercida pela carne bovina
Em sentido oposto ao mercado de hortifrúti, a carne bovina exerceu forte pressão de alta sobre o índice geral. O principal corte comercializado registrou elevação de 5,25%, atingindo o preço médio de R$ 49,87 o quilo.
No acumulado de doze meses, o valor do produto ficou 13,74% superior ao registrado no ano anterior. A menor disponibilidade de animais prontos para o abate, combinada com custos elevados de produção e a forte demanda externa voltada para as exportações, reduziu a oferta interna e encareceu o item nas gôndolas.
Logística e o futuro do abastecimento
A dinâmica atual do mercado demonstra que a formação de preços vai muito além do volume colhido no campo. Questões ligadas à conservação, infraestrutura de transporte e eficiência no escoamento desempenham papéis fundamentais no valor final pago pelo cidadão.
O Sistema Comércio de Mato Grosso, integrado por entidades como Fecomércio-MT, Sesc-MT e Senac-MT, segue monitorando os índices para orientar a sociedade sobre as oscilações econômicas.
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