O escritor e ex-candidato à Presidência, Augusto Cury (Avante), anunciou oficialmente nesta quinta-feira (8) o seu apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) para o segundo turno das eleições. A decisão, que altera a postura de neutralidade adotada pelo autor logo após o primeiro pleito, insere Cury em um bloco de alianças que já contava com nomes como Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), consolidando a oposição ao projeto político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Acordo programático e compromissos firmados
A adesão de Cury foi concretizada após uma série de diálogos realizados via videochamada, enquanto o escritor cumpria agenda de viagem na Europa. O apoio não foi incondicional: o ponto central da negociação foi a assinatura de uma carta de compromissos por parte de Flávio Bolsonaro. O documento, composto por oito diretrizes, estabelece um norte programático para um eventual governo, afastando a possibilidade de negociações centradas em cargos ou benefícios pessoais.
Entre as pautas prioritárias elencadas no termo, destacam-se o fortalecimento da educação e a valorização dos profissionais da área, a expansão da telemedicina, políticas de proteção às mulheres e o incentivo ao cooperativismo e às microempresas. Além disso, o texto propõe o fim da reeleição presidencial e a busca pela pacificação nacional, com o compromisso de que o candidato governará para todos os brasileiros, sem pautar sua gestão em perseguições políticas.
Condições e limites do apoio político
A carta de compromissos deixa claro que o apoio de Augusto Cury não deve ser interpretado como um “cheque em branco”. O escritor ressaltou que a manutenção dessa aliança está estritamente condicionada ao cumprimento das metas estabelecidas, à transparência administrativa, à responsabilidade fiscal e ao respeito irrestrito às instituições democráticas. Cury assegurou, inclusive, que mantém sua autonomia para fiscalizar, cobrar e criticar eventuais desvios de conduta do candidato.
No primeiro turno, Augusto Cury obteve 3.448.569 votos, o que representou 2,89% dos votos válidos. A mudança de postura ocorre poucos dias após ele ter declarado, no domingo (4), que permaneceria em silêncio e manteria suas propostas à disposição de ambos os finalistas da disputa. Além de Cury, a ex-candidata Clariana Barão (DC) também oficializou seu suporte a Flávio Bolsonaro nesta etapa final da corrida eleitoral, que apresenta um cenário acirrado, com o candidato do PL registrando 52% das intenções de voto contra 48% de Lula, conforme dados da fonte Metrópoles.
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